Mercado Financeiro

Tem dúvidas sobre os derivativos? Veja as principais informações aqui

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Uma forma de investir seu dinheiro é no mercado de derivativos. Nesse segmento incluem-se swaps, opções, contratos futuros e outros.

Para quem conhece o mercado financeiro, esses termos já são conhecidos. No entanto, os derivativos tendem a gerar dúvidas.

Afinal, para que servem? Vale a pena investir? Por que podem ser usados como hedge? Neste post vamos apresentar as respostas a essas dúvidas. Continue lendo e confira.

O que são derivativos?

Os derivativos são contratos em que o preço do ativo deriva-se de outra cotação. A base é o valor de outro título, de um índice de mercado ou de uma taxa de referência.

O ativo subjacente pode ser físico (como uma commodity) ou financeiro (por exemplo, ações e taxas de juros). Além disso, a negociação pode ocorrer no mercado à vista ou não.

Para entender o que são derivativos, basta ver o seguinte exemplo. Quando você investe em um contrato futuro de dólar, você adquire o direito à oscilação da moeda. Portanto, não compra o ativo em si.

Com isso, a sua perda ou ganho depende da variação do ativo. Assim, as aplicações têm sua rentabilidade atrelada ao comportamento de outro papel, chamado de ativo-objeto.

É importante saber que o derivativo sempre tem um prazo futuro e um preço predefinidos. Além do mais, o ativo tem sua cotação. No entanto, ela é lastreada por um ativo-objeto.

Quais são os tipos de derivativos?

Esses contratos são classificados de quatro maneiras. Elas são:

Mercado a termo

Existe a promessa de compra ou venda de um ativo pelo preço atual. Porém, a negociação só ocorrerá em uma data futura.

Por exemplo, o investidor compra ações de uma empresa a termo de 30 dias. Isso significa que, em 1 mês, será necessário pagar o valor combinado. Por sua vez, a outra parte tem a obrigação de vender os ativos.

Mercado futuro

Funciona de maneira semelhante, mas a cotação se ajusta ao longo do tempo. Por isso, ela não é fixa. Na prática, o investidor adquire um contrato ou minicontrato de compra ou venda. Nesse documento, já determina-se valor e a data

Antes desse prazo, o contrato de derivativos do mercado futuro pode ser comercializado para outro investidor. Assim, essa operação tem mais liquidez. Os produtos passíveis de negociação são, entre outros:

  • dólar;
  • soja;
  • índice;
  • boi gordo;
  • soja;
  • algodão;
  • café;
  • milho.

Gráfico em barras com as oscilações dos derivativos

Mercado de opções

É uma operação que oferece o direito de compra ou venda de um ativo. O preço é fixo e a data é futura. Por outro lado, não existe a obrigação de realizar a negociação.

A opção de compra chama-se  calle e put a venda. Em ambos os casos, o titular adquire o contrato. Enquanto isso, o lançador realiza a comercialização.

As duas partes negociam um prêmio no primeiro momento. Esse valor garante o direito de comprar ou vender o ativo-objeto. Na data futura, pode-se exercer com o preço combinado, denominado strike.

Devido a suas características, o contrato de derivativos do mercado de opções é atrativo. Afinal, o investidor pode evitar grandes prejuízos por ter apenas o direito de exercer a operação.

Swaps

Nem todos os lugares consideram essa operação como um tipo de derivativo. Ainda assim, vale a pena citá-la.

Os swaps são contratos em que os investidores negociam uma troca de rentabilidade entre dois ativos. Por exemplo, uma empresa recebe em dólar, mas sua dívida sofre reajustes de acordo com a inflação. Por isso, deseja trocar o indexador para a cotação do dólar.

Ainda existe outra empresa que recebe em reais, mas tem seus contratos baseados em dólar. Assim, deseja trocar para um indexador interno, que pode ser a inflação.

Ambas firmam um contrato de derivativos de swap para inverter os indicadores de reajuste. No prazo acordado, ele será liquidado. Portanto, o funcionamento passa a ser igual ao do mercado a termo.

Vale a pena investir nessa modalidade?

Os contratos de derivativos podem ser bastante interessantes. Apesar do seu funcionamento ser complexo para investidores iniciantes, é uma alternativa para quem deseja se aprofundar no mercado financeiro.

Especialmente, se esse investimento encaixa-se na três principais estratégias. Elas são:

  • proteção, porque o contrato pode ser usado como hedge. Nesse caso, ele evita o impacto da volatilidade no preço do ativo ao fixar o valor de forma antecipada;
  • especulação. Apesar de ser contrário ao hedge, os derivativos também podem ser usados para obter o lucro máximo. Nesse caso, podem ser realizadas operações de day trade (são finalizadas no mesmo dia) ou de swing trade (duram alguns dias ou poucas semanas);
  • arbitragem, ou seja, o investidor lucra com a divergência de preços encontrada para o mesmo produto em mercados diferentes. Por exemplo, uma opção sobre ações tem um preço futuro diferente daquele planejado para o mercado à vista. O investidor arbitrador percebe essa situação e faz a operação antes do ajuste de preços pelo mercado.

Executivo vibra por ter acertado o alvo no mercado de derivativos

Como investir?

Antes de aplicar seu dinheiro no mercado de derivativos, você deve abrir uma conta em uma corretora de valores. Também é importante investir na sua educação financeira.

Então, há algumas regras básicas que podem ser seguidas para aumentar suas chances de sucesso. Veja as etapas fundamentais para alcançar esse patamar:

  • conheça seu perfil de investidor. Essa é uma forma de saber o seu nível de tolerância a risco. Além disso, considere a sua possibilidade de dedicação. Isso porque essas aplicações financeiras exigem uma atenção maior;
  • defina a sua estratégia. Antes de começar, veja se você pretende usar os derivativos para proteção, arbitragem ou especulação. Dessa forma, você tem mais segurança nas suas decisões.

Assim, os derivativos são investimentos mais indicados para quem tem conhecimento sobre o mercado financeiro. No entanto, qualquer pessoa pode optar por eles, desde que tenha cuidado com os diferentes tipos de operações.

A partir disso, é possível ter bons ganhos com os derivativos. Como qualquer aplicação financeira, ela traz riscos. Ainda assim, eles podem ser mitigados com educação financeira e com a aplicação de estratégias diferenciadas.

Jacinto Neto
Jacinto Neto
Analista CNPI e sócio do Funds Explorer
Formado em administração pública pela FGV-SP, mestre em Finanças e Controladoria pela FIPECAFI, analista CNPI e sócio do Funds Explorer. Possui experiência maior que 5 anos, trabalhando com estratégia de investimentos, planejamento e modelagem financeira, além de análise de fundos de investimento imobiliário.

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