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Entenda como a taxa de performance funciona e quando é cobrada

Entenda como a taxa de performance funciona e quando é cobrada

Você já ouviu falar em taxa de performance? Essa é uma cobrança dos fundos de investimento que oferecem uma boa rentabilidade aos clientes. Isso é válido desde que o percentual de ganhos ultrapasse o benchmark.

Portanto, a taxa de performance tem dois aspectos a considerar. De um lado, incentiva o gestor a obter bons resultados. De outro, é um custo extra para o investidor.

Então, quando compensa pagar esse valor? Só você pode chegar a essa conclusão. Afinal, é preciso analisar um fundo específico. Para ajudar nesse processo, explicamos o que é essa taxa. Acompanhe.

O que é taxa de performance?

A taxa de performance é uma taxa cobrada dos investidores quando a rentabilidade de um fundo excede o benchmark estabelecido. O valor serve para remunerar o om trabalho do gestor.

Também chamada de taxa de sucesso ou success fee, essa cobrança é opcional e condicional. Isso porque ela nem sempre é aplicada. Além disso, quando adotada, incide somente quando a rentabilidade ultrapassa o padrão de referência.

Portanto, serve como um estímulo ao gestor. Dessa forma, ele busca os melhores produtos para compor a carteira do fundo.

Como essa taxa funciona?

A incidência da taxa de performance depende da superação de 100% ou mais do benchmark. Por exemplo, se a referência for o CDI, é preciso equivaler ou superar esse indicador.

O indexador utilizado depende do fundo. Isso porque cada um define o mais adequado à sua estratégia. Apesar disso, os mais comuns são:

  • Ibovespa, para fundos de ações;
  • dólar, para fundos cambiais;
  • Certificado de Depósito Interbancário (CDI), para os demais.

Como é feita a cobrança?

A taxa de sucesso incide a cada 6 meses. Sua cobrança é automática. Portanto, sempre que o benchmark for superado, o investidor a paga. Isso porque é feito o provisionamento de acordo com o valor da cota.

Ainda existe a chamada linha d’água. Esse é um sistema de compensação. Assim, uma rentabilidade abaixo do índice de referência é abatida na cobrança dos próximos períodos.

Por exemplo, o fundo tem o Ibovespa como benchmark. Em determinado período, ele rendeu somente 80%. Portanto, ficou abaixo do esperado.

No período seguinte, ele chegou a 105% do índice. Assim, os 5% de rentabilidade acima da meta deixam de ser cobrados. Isso porque houve uma rentabilidade 20% menor anteriormente.

Desse modo, a cobrança só é efetivada depois que toda a diferença for compensada. É importante explicar ainda que a alíquota normalmente aplicada é de 20%.

uma mulher aparece clicando em uma de 5 estrelas que estão desenhadas em azul na sua frente. As estrelas representam o bom desempenho sobre o qual incide a taxa de performance

Quais fundos aplicam a success fee?

 O mais comum é que essa taxa por desempenho incida em fundos com gestão ativa. Isso porque o gestor precisa ter uma atuação direta para garantir o rendimento.

Os fundos com gestão ativa costumam ser os de ações, multimercados e cambiais. Outras modalidades estão proibidas de cobrarem essa taxa.

Exemplo de cobrança de taxa de performance

Imagine que um fundo de ações tenha uma success fee de 20%. O benchmark é o Ibovespa.

No período analisado, o índice valorizou 6%. Por sua vez, o fundo teve uma rentabilidade de 11%, considerando o desconto de taxa de administração e outras despesas.

Nesse cenário, o cálculo da taxa de performance deve contabilizar a diferença e multiplicar pela alíquota. Ou seja:

(11% – 6%) x 20% = 1%

Assim, o investidor pagará 1% de cada cota. Ao mesmo tempo, o gestor receberá 1% do capital total investido no fundo no final do semestre.

Quando vale a pena ter um fundo com taxa de performance?

A cobrança da success fee retira parte do rendimento do investidor. Ainda assim, pode valer a pena.

Isso porque ela é um incentivo ao gestor. Portanto, ele busca conseguir o máximo possível. Afinal, quanto maior for o resultado, mais ele ganhará.

No entanto, existem dois problemas a combater. Eles são:

  • benchmark inadequado: sempre observe qual é o índice de referência do fundo. Por exemplo, um fundo de ações atrelado ao CDI terá desempenho abaixo do esperado quando o mercado acionário estiver em baixa. Quando em alta, o fundo terá um desempenho muito acima e isso reduzirá o seu ganho;
  • gestores mal intencionados: mesmo que ele siga a política e o estatuto do fundo, e siga a lei vigente, esse profissional pode aumentar a receita ao fazer alavancagem ou assumir riscos excessivos. No primeiro caso, podem ser obtidos lucros ou prejuízos elevados. Assim, o risco é assumido somente pelo investidor.

Para evitar problemas com a taxa de performance, o ideal é verificar o histórico do fundo. Ainda que não indique o futuro, ajuda a entender a qualidade do gestor e os níveis de risco assumidos.

Jacinto Neto
Jacinto Neto
Analista CNPI e sócio do Funds Explorer
Formado em administração pública pela FGV-SP, mestre em Finanças e Controladoria pela FIPECAFI, analista CNPI e sócio do Funds Explorer. Possui experiência maior que 5 anos, trabalhando com estratégia de investimentos, planejamento e modelagem financeira, além de análise de fundos de investimento imobiliário.

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