O mercado de fundos imobiliários abriu 2026 em ritmo forte, apoiado por um ambiente macro mais benigno. Em janeiro, o IFIX avançou 2,27%, emendando o sexto mês de ganhos e renovando máximas históricas. Para Gustavo Jung, economista da Suno Asset, o rali tem base estrutural: a combinação de inflação em desaceleração e perspectiva de flexibilização monetária cria um pano de fundo consistente, e não apenas um movimento de fluxo especulativo.
Os dados de preços reforçam essa leitura. O IPCA-15 de janeiro veio em 0,20%, abaixo do esperado, sinalizando continuidade da desinflação. Núcleos mais resistentes, como serviços intensivos em mão de obra, também mostraram arrefecimento, segundo Jung. Esse quadro, somado a câmbio mais estável, commodities comportadas e recuo nos custos de alimentos, reduz a incerteza e sustenta os preços dos ativos ligados a renda e tijolo, como os fundos imobiliários.
FIIs: ainda tem gatilhos de valorização?
Entre os vetores de suporte, destacam-se: inflação controlada; sinalização do Banco Central para início do ciclo de cortes; fechamento das curvas de juros; e melhora do apetite por risco. O petróleo perto de US$ 65 ajuda a manter a pressão inflacionária sob controle, compondo um cenário mais previsível para dividendos e valuations. Esses elementos, em conjunto, ampliam a atratividade relativa dos FIIs frente à renda fixa.
Mudanças na comunicação do Copom adicionaram combustível. Embora a Selic tenha sido mantida em 15%, o tom do comunicado abriu espaço para flexibilização já na próxima reunião. O efeito imediato foi o fechamento das taxas futuras e uma migração tática para risco, beneficiando diretamente os fundos imobiliários. O IFIX acumula cerca de 28% de alta em poucos meses, recuperando perdas do ciclo anterior.
Quais segmentos de FIIs capturaram os ganhos?
Segmentos como FOFs, multiestratégia e lajes corporativas lideraram a alta. Em muitos casos, trata-se de recomposição de preços de cotas que ainda negociavam com desconto relevante sobre o valor patrimonial. A melhora das expectativas e o custo de capital projetado mais baixo impulsionam essa correção, com impacto nos portfólios de maior beta.
Para o investidor, o momento é favorável, mas pede seletividade. Jung destaca que qualidade de gestão, fundamentos dos imóveis, contratos e nível de desconto seguem determinantes. Em um ambiente de juros cadentes, teses com alavancas operacionais e risco calibrado tendem a se destacar, enquanto a disciplina na alocação ajuda a capturar o ciclo positivo dos fundos imobiliários.