Os FIAGROs se destacam por oferecer ao investidor a oportunidade de participar diretamente da força do agronegócio brasileiro, combinando renda recorrente, potencial de bons dividendos e exposição a um dos setores mais relevantes da economia nacional. Segundo o CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) e a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), mesmo em 2024, ano em que o país enfrentou quebra de safra de soja e milho, o agronegócio representou 23,5% do PIB. Para 2025, a expectativa é ainda mais robusta, com projeção de participação de 29,4% do PIB.
Diante desse cenário, faz sentido que o investidor observe o agronegócio com uma visão estratégica, considerando que os FIAGROs têm potencial de desenvolvimento em um setor que já ocupa um espaço tão significativo na economia brasileira. Pensando nisso, hoje vamos falar sobre três FIAGROs que talvez ainda não estejam entre os mais comentados do mercado, mas que podem trazer boas oportunidades para quem busca diversificação e diferentes abordagens dentro da carteira.
Vale reforçar que este conteúdo não constitui recomendação de investimento. Para decisões específicas, o ideal é contar com análise profissional, como a da carteira recomendada da Suno Research.
SNFZ11 – SUNO FAZENDAS – FIAGRO-IMOBILIÁRIO
O SNFZ11 é um FIAGRO em crescimento e merece a atenção de quem estuda o segmento. Hoje, o fundo conta com 4.428 cotistas e um patrimônio líquido de aproximadamente R$ 113,9 milhões. Em termos de indicadores objetivos, negocia próximo do valor patrimonial, com P/VP em torno de 1,01, e apresenta uma liquidez média diária de cerca de R$ 316,9 mil. O último rendimento distribuído foi de R$ 0,10 por cota, o que ajuda o investidor a ter uma referência prática sobre o nível atual de distribuição.
Mas o ponto mais interessante do SNFZ11 não está apenas nos números de curto prazo. A estrutura do fundo foi desenhada com uma proposta muito clara: combinar geração de renda com foco principal em valorização patrimonial no longo prazo. Em outras palavras, o objetivo central não é simplesmente pagar altos dividendos mensais, mas capturar a valorização da terra ao longo do tempo, gerando ganho de capital ao cotista e buscando superar o seu principal benchmark, que é o IPCA + Yield IMA-B. Ainda assim, a gestão assume o compromisso de manter distribuições previsíveis e transparentes, apoiadas na baixa volatilidade dos ativos que compõem o portfólio.
Outubro foi um mês importante para o fundo, marcando o início efetivo do ciclo produtivo da safra 2025/2026. Após a fase de conservação de solo e planejamento agrícola, o período foi dedicado à semeadura das áreas cultiváveis e à realização da primeira auditoria técnica nas fazendas do portfólio, conduzida pela RHD Agro. Essa vistoria ocorreu entre 23 e 24 de outubro nas propriedades Coliseu, Triângulo da Gaúcha e Xavante, todas localizadas em Gaúcha do Norte (MT), e teve como objetivo avaliar condições agronômicas, saúde das lavouras, estágio de desenvolvimento e estabelecer uma base técnica para acompanhamento da produtividade ao longo do ciclo.
Os resultados foram positivos. As propriedades foram classificadas com condições favoráveis de cultivo, com destaque para o manejo adequado do solo, bom controle fitossanitário e condições climáticas dentro da normalidade no período avaliado. Para o investidor, isso representa maior segurança na tese do fundo e reforça a proposta de construção de valor no longo prazo, ancorada em ativos reais e diretamente ligados à produção agrícola.
OIAG11 – Ourinvest Innovation Fiagro Imobiliario
O OIAG11 é um FIAGRO de porte menor em comparação a alguns dos grandes fundos do setor, mas que apresenta características que chamam atenção. Atualmente, o fundo possui 13.141 cotistas, com um patrimônio líquido em torno de R$ 88,8 milhões, negociando com desconto relevante em relação ao valor patrimonial, com P/VP de 0,89. Sua liquidez média diária gira em torno de R$ 218 mil, um volume razoável para o seu tamanho. Em termos de retorno, o dividend yield acumulado em 12 meses está em aproximadamente 15,11%, reforçando seu posicionamento como um fundo voltado à geração de renda. A taxa de administração é de 1,10% ao ano, e há taxa de performance de 20% sobre o que exceder o benchmark definido.
No mês de novembro, o fundo realizou movimentações importantes. Foram investidos R$ 4 milhões em cotas mezanino do Ponto Rural Fiagro, com rentabilidade de CDI + 3,6%, ativo lastreado em recebíveis pulverizados do Grupo Ponto Rural, que atua de forma relevante no Paraná, com vencimento para junho de 2026. Além disso, houve um aporte de R$ 1,9 milhão em cotas mezanino do fundo Fator Tarken, também lastreado em recebíveis pulverizados originados por indústrias relevantes do agronegócio, com expectativa de retorno de CDI + 5% e estrutura de subordinação que ajuda a mitigar riscos. Por outro lado, o fundo vendeu o CRA Olfar, com pequeno ganho de capital, em cerca de R$ 1,3 milhão.
Essas movimentações seguem a linha estratégica da gestão, que prioriza ativos de crédito mais pulverizados, com prazo mais curto, forte mitigação de risco de inadimplência e foco em operações ligadas ao custeio do agro. Hoje, cerca de 92% do patrimônio está alocado em ativos-alvo, ante 96,1% no mês anterior, já que o fundo mantém aproximadamente R$ 7 milhões em caixa, destinados a novas alocações em análise. No período, o resultado foi de R$ 0,131 por cota, com distribuição de R$ 0,12 por cota aos investidores, além de manutenção de uma reserva de R$ 0,141 por cota, o que contribui para estabilidade futura dos rendimentos. A gestão também reforça que segue monitorando de perto os desdobramentos relacionados ao CRA Copagri.
AAZQ11 – AZ QUEST SOLE FIAGRO IMOBILIÁRIO
O AAZQ11 é um FIAGRO que já conta com uma base relevante de investidores: hoje são 30.088 cotistas e um patrimônio líquido de aproximadamente R$ 210 milhões. O fundo negocia com um leve desconto em relação ao seu valor patrimonial, com P/VP de 0,95, e apresenta boa liquidez média diária, na casa de R$ 541 mil, o que facilita a entrada e saída do investidor no mercado secundário. Em termos de rendimento, o último pagamento foi de R$ 0,13 por cota, com um dividend yield em torno de 15,67%, números que naturalmente chamam atenção de quem busca renda. A taxa de administração é de 1,2% ao ano sobre o patrimônio líquido e há taxa de performance de 10% sobre o que exceder 100% do CDI. Os rendimentos são divulgados no último dia útil do mês e pagos até o 10º dia útil seguinte.
Do ponto de vista operacional, o fundo encerrou novembro com cerca de 99% do patrimônio alocado em ativos ligados ao agronegócio, com forte predominância em CRAs, que representam 73,1% da carteira, além de participação relevante em FIDCs e outros FIAGROs de direitos creditórios, que somam 22,9%. A taxa ponderada de carrego dos ativos fechou em 3,29% ao ano, enquanto a taxa líquida, já considerando impostos e custos, ficou em CDI + 2,04% ao ano. Novembro foi um mês sem grandes movimentações, com apenas amortizações parciais dentro do cronograma das operações, sem aumento relevante de caixa. A expectativa da gestão é realizar novos investimentos nos próximos meses, substituindo ativos amortizados e posições de maior liquidez no mercado secundário que hoje rendem perto ou abaixo do CDI, o que tende a elevar o carrego médio da carteira. Em resumo, a carteira segue estável, diversificada e dentro do esperado pela gestão.
Um ponto de atenção importante citado pela gestora é a situação envolvendo o FIDC Caetê. Como investidora relevante na operação, a AZ Quest segue acompanhando tanto os processos civis quanto os desdobramentos criminais ligados ao caso, que envolve a Operação Greenwashing. No âmbito civil, existem medidas em andamento para execução de garantias e bens dos avalistas, com algumas decisões favoráveis e etapas processuais evoluindo. Já na esfera criminal, ainda não houve oferecimento de denúncia, e o acesso da gestora às informações é naturalmente limitado. A equipe reforça que continuará monitorando de perto e manterá os cotistas informados sempre que houver avanços concretos ou decisões materiais.
Considerações finais
Fica claro que os FIAGROs seguem se consolidando como uma alternativa interessante dentro do mercado de capitais para quem deseja exposição ao agronegócio brasileiro por meio de veículos estruturados, com gestão profissional e acesso a ativos que, muitas vezes, o investidor pessoa física não teria de forma direta. Cada um dos fundos apresentados possui características próprias, estratégias diferentes e formas distintas de gerar valor ao cotista, seja por meio de renda recorrente, valorização do patrimônio no longo prazo ou por uma combinação equilibrada desses fatores.
Mais do que olhar apenas para dividendos ou retorno recente, vale observar com atenção a proposta de cada fundo, a qualidade dos ativos, o nível de risco, a solidez das operações e o alinhamento da gestão com a tese apresentada aos investidores. Em um setor tão relevante para o Brasil como o agronegócio, os FIAGROs podem desempenhar um papel estratégico dentro de uma carteira bem construída, especialmente para quem busca diversificação com ativos reais, vinculados à produção e à dinâmica econômica do país.
Como sempre, reforço que este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo. Investir exige estudo, compreensão de riscos e análise adequada de perfil. Para quem deseja aprofundar a avaliação e ter suporte profissional, a assinatura de uma casa de análise especializada, como a Suno Research, pode ser um caminho interessante para tomar decisões mais embasadas.