O fundo imobiliário SNME11 encerrou dezembro com retorno patrimonial de 2,40% e distribuição de R$ 0,15 por cota, equivalente a 1,54% no mês. Em um cenário de abertura da curva real de juros, a gestão manteve postura defensiva e maior seletividade no mercado secundário, preservando liquidez e priorizando assimetria risco-retorno. A cota fechou a R$ 9,66, acima do valor patrimonial de R$ 9,48, refletindo a percepção de qualidade do portfólio.
A performance combinou resultados recorrentes com ganhos de capital, reforçando a tese de descorrelação em relação ao mercado tradicional. Entre os destaques de dezembro, o fundo apresentou variação de +0,52% no secundário, retorno total de 2,08% (rendimentos + valorização) e volume médio diário de R$ 212 mil. Esses números evidenciam disciplina de execução e controle de risco.
Em um mês desafiador, com a NTN-B 2035 subindo de 7,31% para 7,39%, o SNME11 superou o IPCA + Yield do IMA-B, que avançou 0,95%, ficando levemente abaixo do IFIX, que subiu 3,14%. No acumulado desde setembro de 2023, o alfa foi de 5,64% frente ao IPCA + Yield do IMA-B e de 16,0% contra o IFIX, validando a estratégia defensiva e a eficácia da diversificação.
Resultados e alocação da carteira do SNME11
a carteira gerou R$ 901 mil no mês, com R$ 397 mil de rendimentos de FIIs e cerca de R$ 556 mil em ganhos de capital. Os CRIs contribuíram com R$ 327 mil, enquanto a estratégia de ações adicionou R$ 28 mil em dividendos. Entre as movimentações, houve reforço tático em assimetrias, com aumento em PATL11 (industrial e logístico) e alocação de cerca de R$ 1,7 milhão em CXCO11, comprado a cap rate implícito próximo de 15% ao ano.
A gestão também executou venda a descoberto em HGLG11 no valor de R$ 3 milhões, antecipando pressão vendedora por conversão de cotas de oferta recente. A posição foi integralmente encerrada ainda em dezembro, contribuindo para os ganhos do período. Essa atuação ativa reforça a abordagem oportunística e o foco em preservação de capital.
No crédito, os CRIs da Vanguarda seguem em recuperação após vencimento antecipado por desvios apurados em auditoria. A securitizadora já detém a maior parte das unidades dos empreendimentos Jonathan Nunes e Dom Severino. A expectativa atual é de recuperação próxima a 80% do custo, com o papel marcado a valor próximo ao PU no fundo.
Estratégia do fundo imobiliário e fusão com SNFF11
A fusão entre SNFF11 e SNME11, aprovada em outubro, segue em execução, com conclusão projetada para o primeiro semestre de 2026. As frentes contemplam soluções jurídicas e operacionais para concluir obras, repassar carteiras e otimizar o portfólio consolidado. A perspectiva é de captura de sinergias e resiliência em ciclos de maior volatilidade, mantendo governança e seletividade.