A leitura de 17 relatórios gerenciais de janeiro dos principais fundos imobiliários da B3 indica mudança clara na avaliação dos gestores sobre a política monetária. Em diferentes segmentos, há consenso de que o ciclo de alta da Selic, hoje em 15% ao ano, se aproxima do fim, com probabilidade crescente de cortes ao longo de 2026. Essa percepção, antes vista como hipótese distante, ganhou tração nos últimos meses.
Os documentos destacam que o Copom vem sinalizando espaço para flexibilização, condicionada à evolução dos dados. Em ao menos quatro relatórios, essas indicações são citadas explicitamente, reforçando a leitura de que a taxa básica está próxima do pico do aperto monetário. O mercado, por sua vez, já precifica o encerramento da política contracionista no primeiro semestre, com apostas iniciais entre 25 e 50 pontos-base.
Fundos logísticos como HGLG11, BTLG11 e XPLG11 relatam que agentes antecipam cortes de juros ainda na primeira metade do ano. Entre renda urbana e híbridos, o discurso é semelhante: juros elevados no presente, mas com inflexão próxima no horizonte. Essa convergência sugere maior previsibilidade para projeções de fluxo de caixa e para a precificação de ativos.
Entre os FIIs de crédito, incluindo BTCI11, KNCR11 e MXRF11, ganha força a avaliação de que o início do ciclo de queda dependerá da persistência de desinflação e do arrefecimento da atividade. Relatórios de shopping centers, como HSML11, XPML11 e VISC11, referem melhora dos indicadores de preços, reforçando o cenário de cortes graduais. As palavras “flexibilização” e “condicionalidade” aparecem com frequência.
IFIX e desempenho setorial
O MXRF11 ressalta que o IFIX acumulou alta de 21,15% em 2025, mesmo com Selic a 15%. Gestores atribuem parte relevante dessa recuperação à antecipação do mercado ao provável ciclo de queda dos juros. Muitos fundos seguem negociados com desconto frente ao valor patrimonial, especialmente nos segmentos de tijolo, sinalizando prêmio de risco ainda elevado.
Expectativas para 2026
Em 2026, a confirmação do corte da Selic pode reprecificar o universo de fundos imobiliários, comprimindo taxas de desconto e destravando valor em portfólios posicionados para a queda dos juros. Embora o tom permaneça cauteloso e dependente da macroeconomia, a convergência entre gestores e segmentos indica que o ciclo de alta caminha para a conclusão, com potencial de beneficiar a indústria no médio prazo.