O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 618 milhões para financiar a implantação de uma nova planta de etanol de cereais em Tupaciguara (MG), no Triângulo Mineiro. O projeto, a cargo da Biomil Etanol, do Grupo Aroeira, prevê início de operação em 2028 e amplia a capacidade nacional de conversão de milho e sorgo em biocombustível, com coprodutos destinados à pecuária.
A unidade terá capacidade para processar 330 mil toneladas anuais de milho e sorgo, com produção estimada de 146 milhões de litros ao ano. O plano inclui cerca de 92 mil toneladas anuais de DDGS, insumo proteico para alimentação animal. O anúncio ocorre em meio ao avanço da colheita da segunda safra de milho no Centro-Sul e reforça o encadeamento entre agricultura, bioenergia e nutrição animal, relevante para regiões como Mato Grosso.
- Montante: R$ 618 milhões, com três linhas de crédito.
- Alocação: R$ 310 milhões do Fundo Clima; R$ 105,5 milhões via Finem; R$ 202,5 milhões no BNDES Máquinas e Serviços.
- Local e prazo: Tupaciguara (MG); início de operação previsto para 2028.
- Capacidade: processamento de 330 mil t/ano de milho e sorgo; 146 milhões de litros/ano de etanol.
- Coproduto: 92 mil t/ano de DDGS para uso na pecuária.
- Safrinha: colheita no Centro-Sul em 22% da área, acima dos 18% de 2023.
- Produção: estimativa de 108,2 milhões de t de milho safrinha no Brasil.
- Mato Grosso: rendimento médio de 120,28 sc/ha e produção próxima de 53,35 milhões de t.
- Exposição setorial: o fundo SNFZ11 detém propriedades em Gaúcha do Norte (MT), polo de soja no verão e milho no inverno.
BNDES aprova crédito para planta de etanol em MG
O financiamento foi estruturado em três frentes. O Fundo Clima, voltado a projetos de mitigação de emissões e adaptação, aportará R$ 310 milhões. A linha Finem, destinada a investimentos de longo prazo em projetos acima de R$ 20 milhões, disponibilizará R$ 105,5 milhões. Já o BNDES Máquinas e Serviços, focado na aquisição de equipamentos e serviços industriais, responderá por R$ 202,5 milhões.
A unidade da Biomil Etanol, ligada ao Grupo Aroeira, integrará a cadeia do biocombustível com processamento de milho e sorgo em escala industrial. O projeto prevê 146 milhões de litros/ano de produção, volume que deriva da capacidade de processar 330 mil toneladas anuais de grãos. O cronograma indica início de operação em 2028, após a instalação e comissionamento dos equipamentos.
Além do biocombustível, a planta fabricará aproximadamente 92 mil toneladas/ano de DDGS (Dried Distillers Grains with Solubles). Esse coproduto é rico em proteína e fibras e tem uso consolidado na formulação de rações para bovinos de corte e leite, além de outras cadeias pecuárias. A geração de DDGS adiciona uma fonte de receita e contribui para o aproveitamento integral da matéria-prima.
A localização em Tupaciguara, no Triângulo Mineiro, facilita o acesso logístico a áreas produtoras de milho do Centro-Oeste e Sudeste, além de consumidores de etanol e de ração. A estrutura de financiamento combina objetivos climáticos, expansão industrial e aquisição de máquinas, o que tende a acelerar a implantação e reduzir o risco do projeto.
Safrinha e etanol: contexto e exposição do SNFZ11
A expansão da indústria de etanol ocorre paralelamente ao avanço da segunda safra de milho no Centro-Sul. Segundo a AgRural, 22% da área cultivada foi colhida até a última semana, acima dos 18% no mesmo período do ano anterior. A consultoria projeta 108,2 milhões de toneladas para a safrinha brasileira na temporada, apesar de atrasos pontuais provocados por umidade elevada e frio em algumas regiões.
Mato Grosso permanece na liderança da colheita e na produção. As projeções indicam rendimento médio de 120,28 sacas por hectare e um volume estadual próximo de 53,35 milhões de toneladas. O estado é estratégico para a oferta de milho que abastece usinas de etanol e indústrias de ração, sustentando a integração entre agricultura e bioenergia.
A região de Gaúcha do Norte (MT) adota modelo de sucessão de culturas, com soja no verão e milho no inverno (safrinha), elevando o uso da terra e a produtividade anual. Esse arranjo melhora a eficiência do sistema produtivo e favorece o suprimento contínuo de grãos para a produção de etanol de milho e para a nutrição animal.
No elo do biocombustível, o milho safrinha tende a fortalecer a disponibilidade de matéria-prima durante o ano, diversificando a matriz energética e complementando a produção a partir de cana. A dinâmica favorece plantas que capturam coprodutos valorizados, como o DDGS, ampliando o encadeamento produtivo.
Para ativos com exposição direta à produção agrícola, como as terras no portfólio do SNFZ11 (ticker mencionado uma única vez), o ambiente de safra e o avanço do etanol de milho conectam o mercado de grãos a tendências de bioenergia e eficiência produtiva. Essa convergência sustenta o uso intensivo da terra, ganhos de produtividade e maior resiliência da oferta ao longo do ano-safra.