A decisão da SLC Agrícola (SLCE3) de adquirir aproximadamente 41,2 mil hectares físicos do Grupo Radar, em Mato Grosso, por R$ 1,85 bilhão, intensificou a atenção do mercado para ativos de terras agrícolas. Do total, 28,8 mil hectares são agricultáveis e cerca de 17,6 mil já eram operados pela companhia. A operação, considerada cara por parte do mercado, reforça a tese de valorização do mercado de terras, defendida por veículos especializados como o SNFZ11, que investem diretamente em propriedades rurais.
O negócio envolve áreas com histórico de viabilizar a segunda safra (safrinha), ou seja, um segundo ciclo produtivo no mesmo ano agrícola, fator que contribui para geração de valor operacional. Em paralelo, o SNFZ11 reportou expansão de base de investidores e avança com sua terceira oferta de cotas, que pode levantar até R$ 120 milhões para aquisição de novas áreas.
- Valor da transação: R$ 1,85 bilhão
- Vendedor: Grupo Radar
- Localização: Mato Grosso
- Área total: 41,2 mil hectares físicos
- Área agricultável: 28,8 mil hectares
- Área já operada pela SLC: 17,6 mil hectares
- Característica da área: viabilidade de segunda safra em toda a extensão
- SNFZ11: base supera 14 mil cotistas; avanço de ~266% desde abril de 2025
- Terceira emissão: até 12,08 milhões de cotas a R$ 10,20; potencial de até R$ 120 milhões
- Expansão estimada: adição de cerca de 2,2 mil hectares agricultáveis em MT
- Exposição setorial: foco em valorização de terras e renda de arrendamento
Operação da SLC e implicações para o SNFZ11
A compra realizada pela SLC Agrícola (SLCE3) ilustra a dinâmica de preços em ativos rurais considerados estratégicos. A disposição de pagar R$ 1,85 bilhão por áreas com capacidade comprovada de segunda safra indica percepção de escassez de terras agrícolas de alta qualidade. Essa leitura dialoga com a estratégia do SNFZ11, fundo que busca capturar a valorização imobiliária rural, combinada com renda por arrendamento.
Diferentemente dos Fiagros de crédito, que alocam recursos em recebíveis do setor, o Fiagro SNFZ11 investe diretamente em imóveis rurais. Nesse modelo, produtividade, localização, disponibilidade hídrica e possibilidade de expansão da área agricultável são variáveis centrais na formação de preço e na perspectiva de valorização ao longo do tempo.
Especialistas observam que a demanda global por alimentos, ganhos de produtividade e limites à expansão de novas áreas aptas ao cultivo seguem como pilares do mercado de terras brasileiras. O perfil das propriedades negociadas pela SLC, com capacidade de safrinha, tende a melhorar métricas operacionais e financeiras, como a previsibilidade de fluxo por meio de arrendamentos e maior taxa de uso do solo.
A viabilidade da segunda safra reduz o risco de ociosidade e aumenta a receita potencial por hectare. Em mercados onde a disponibilidade de terras com essas características é restrita, o prêmio pago por áreas consolidadas pode refletir a expectativa de retorno de longo prazo. Essa dinâmica é um componente chave do racional de fundos focados em terras, como o SNFZ11.
Base de investidores do SNFZ11 ultrapassa 14 mil
O SNFZ11 reportou um novo patamar ao superar 14 mil cotistas. Em abril de 2025, o fundo contava com 3.823 investidores. A base mais que triplicou em pouco mais de um ano, um crescimento de aproximadamente 266%.
Esse avanço ocorre em um contexto de maior interesse por ativos ligados ao agronegócio brasileiro, em especial aqueles com lastro imobiliário rural. A ampliação da base de cotistas costuma melhorar a liquidez secundária das cotas e pode reduzir a volatilidade relativa do fundo, ainda que essas métricas dependam também de fatores de mercado mais amplos.
Terceira emissão do SNFZ11 pode captar R$ 120 milhões
A Suno Asset anunciou a terceira emissão de cotas do SNFZ11, com a oferta de até 12,08 milhões de cotas a R$ 10,20. A captação pode alcançar aproximadamente R$ 120 milhões, com destinação prevista para a compra de novas propriedades rurais.
Segundo o planejamento, os recursos devem adicionar cerca de 2,2 mil hectares agricultáveis ao portfólio, com foco em Mato Grosso, principal polo de soja do país. A alocação busca ampliar a exposição do fundo à valorização de terras e à renda recorrente por arrendamentos, mantendo a disciplina de aquisição em regiões com infraestrutura consolidada e histórico de produtividade.
A combinação de um pipeline de aquisições com liquidez incremental e fundamentos setoriais favoráveis sustenta a continuidade da estratégia do SNFZ11 no médio e longo prazos. A recente operação da SLC oferece um referencial de preço e uma sinalização de apetite por ativos rurais qualificados, elementos que o fundo monitora na originação e na diligência de novos investimentos.