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Petrolíferas caem na Bolsa com crise na Venezuela e aversão a risco

Petrolíferas caem na Bolsa com crise na Venezuela e aversão a risco
Petróleo. Foto: Pixabay

As ações das petrolíferas brasileiras abriram a semana em queda, acompanhando o aumento das tensões geopolíticas na Venezuela. Por volta das 11h, os papéis da Petrobras (PETR4) recuavam 1,11%, a R$ 30,37, refletindo a aversão ao risco no mercado. O movimento também atingiu Prio (PRIO3), que caía 1,84% para R$ 40,99, e PetroRecôncavo (RECV3), com baixa de 0,27% a R$ 10,97.

A pressão vem da incerteza sobre os impactos da operação militar no país vizinho e da prisão de Nicolás Maduro, que reacendem dúvidas sobre a estabilidade regional. A Venezuela detém cerca de 17% das reservas comprovadas de petróleo do mundo, fator que amplia a sensibilidade das cotações globais à crise. Mesmo assim, a produção atual do país está abaixo de 1 milhão de barris por dia.

Esse descompasso entre reservas e produção decorre de problemas crônicos de infraestrutura e de sanções impostas pelos Estados Unidos ao regime. Para o investidor, o cenário adiciona volatilidade e pode manter o desconto nos ativos ligados ao petróleo. O UBS aponta que a commodity venezuelana é tratada como ativo estratégico, mas sem visibilidade sobre próximos passos.

Donald Trump elevou o tom ao afirmar que os Estados Unidos teriam interesse direto nos ativos energéticos venezuelanos, alegando que a indústria teria sido “roubada” por um regime socialista. Embora a retórica tenha impacto de curto prazo, especialistas destacam que não há base legal no direito internacional para reivindicação das reservas. Esse impasse jurídico aprofunda a cautela do mercado.

Investir no país segue desafiador para companhias internacionais: além da instabilidade política e do arcabouço jurídico incerto, seria necessário um volume elevado de capital para reabilitar a infraestrutura. A transformação do petróleo pesado venezuelano em derivados mais rentáveis também é um entrave técnico relevante.

No Brasil, o desempenho da Petrobras continua sensível ao humor externo e às variações do Brent. As petrolíferas listadas tendem a refletir rapidamente qualquer escalada no risco global, enquanto investidores monitoram sinais de uma possível normalização. Até lá, a volatilidade deve permanecer elevada.

Com o desenrolar da crise, o mercado aguarda definições diplomáticas e operacionais para precificar riscos. A estabilização depende da redução das tensões e de clareza sobre eventuais mudanças nas sanções, o que pode aliviar a pressão sobre as ações e as cotações do petróleo.

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