As negociações para um acordo entre Mercosul e Canadá avançaram nos últimos meses, abrindo uma janela para ampliar o acesso de produtos brasileiros a um mercado de alta renda per capita. A agenda inclui discussões sobre regras de origem e preferências tarifárias, mas o cronograma aponta para novos passos ao longo do segundo semestre de 2026. Caso avance, o entendimento tende a impulsionar a competitividade do agronegócio nacional e a diversificação de destinos.
No eixo agroalimentar, o potencial é expressivo. As exportações para o Canadá somam entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,3 bilhão anuais, com destaque para açúcar, café, carnes e alimentos processados. Em 2025, os embarques totais do Brasil ao país norte-americano atingiram cerca de US$ 7,3 bilhões, um recorde histórico para a relação bilateral. Esse salto indica espaço para ganhos adicionais com a redução de barreiras comerciais e maior previsibilidade regulatória.
Para fundos de crédito do setor, como o SNAG11, a abertura de mercados tende a elevar receitas, ampliar canais de escoamento e reduzir a dependência de compradores específicos. Esses vetores fortalecem a qualidade de crédito dos tomadores e podem melhorar o perfil de risco das estruturas de financiamento. Entre os segmentos potenciais beneficiados estão as cadeias de proteínas animais, café e açúcar, nos quais o Brasil já é referência global.
O mercado canadense é estratégico por combinar alto poder de compra com demanda crescente por alimentos. Além das exportações, há relevância adicional: o Canadá figura entre os principais fornecedores de fertilizantes ao Brasil, sobretudo de potássio, insumo essencial à produtividade agrícola. Essa integração ajuda a mitigar gargalos e sustentar planos de expansão.
A dinâmica positiva também repercute nos veículos de financiamento. Fundos lastreados em operações estruturadas e CRAs acompanham de perto o avanço das tratativas, pois a melhora do ambiente setorial beneficia produtores, cooperativas e empresas da cadeia. Embora não invistam diretamente em commodities, capturam indiretamente os ganhos de um ciclo de crescimento e de maior liquidez exportadora.
Se o acordo entre Mercosul e Canadá for concluído, o país poderá consolidar uma nova frente de expansão agrícola e reforçar a internacionalização do setor. Em paralelo, o SNAG11 segue em trajetória de crescimento: concluiu captação de cerca de R$ 301 milhões e ampliou exposição a irrigação e armazenagem, pilares da produtividade. Com mais de 130 mil cotistas e patrimônio próximo de R$ 1 bilhão, o fundo mantém posição de destaque enquanto a soja segue como motor do campo.