O Brasil superou, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a meta global de expansão da produção de grãos projetada para 2050. Em participação no Fiap 2026, o representante da entidade no país, Jorge Meza, afirmou que a produção nacional avançou de cerca de 100 milhões de toneladas em 2005 para aproximadamente 360 milhões de toneladas na safra 2025/26, impulsionada por ganhos de produtividade, maior uso da segunda safra de milho e avanço da indústria de biocombustíveis.
Esse movimento consolida o país como um dos principais agentes da segurança alimentar mundial e tem efeitos diretos sobre ativos ligados a terras agrícolas. No mercado de fundos imobiliários, o fundo de terras agrícolas SNFZ11 tem exposição relevante a áreas produtivas de alta eficiência no Centro-Oeste, com foco no Mato Grosso, onde o modelo de dupla safra sustenta maiores volumes colhidos ao longo do ano.
- A produção de grãos do Brasil atingiu cerca de 360 milhões de t na safra 2025/26, ante 100 milhões de t em 2005, segundo a FAO.
- O país respondeu por cerca de 60% da expansão global da soja em 20 anos e por aproximadamente 70% na última década.
- O estado do Mato Grosso lidera a produção de soja e milho, com forte uso da segunda safra (safrinha).
- O SNFZ11 possui propriedades em Gaúcha do Norte (MT) e atingiu cerca de 14 mil cotistas, ante 3,8 mil em abril de 2025.
- A base de investidores do fundo cresceu mais de 260% em 12 meses.
- A terceira emissão do FII busca captar cerca de R$ 120 milhões para novas áreas, com potencial adição de 2,2 mil hectares agricultáveis.
- A expansão do mercado de etanol de milho amplia o consumo doméstico de grãos e reduz a dependência de exportações.
A leitura apresentada pela FAO destaca que o Brasil desempenhou papel central na expansão mundial da soja. Em duas décadas, o país respondeu por cerca de 60% do incremento global do grão. Na última década, essa participação ficou próxima de 70%. Essa trajetória reflete ganhos de produtividade, difusão tecnológica e eficiência logística em polos produtores.
No campo das culturas, além da soja, o milho consolidou-se como vetor de crescimento, amparado pela segunda safra — a chamada safrinha —, que permite colher mais de uma vez no mesmo ano agrícola. Esse arranjo sustenta maior diluição de custos, melhor aproveitamento de infraestrutura e previsibilidade de receita ao produtor.
O cenário é complementado pelo avanço da indústria de biocombustíveis, com destaque para o etanol produzido a partir do milho. A demanda do parque industrial contribui para reter parte da produção no mercado doméstico, reduzindo a sensibilidade a choques externos e fortalecendo a cadeia de suprimentos local.
SNFZ11: exposição a região estratégica do agro
O SNFZ11, fundo de terras agrícolas gerido pela Suno Asset, detém propriedades em Gaúcha do Norte, no Mato Grosso, um dos polos mais produtivos do país para soja e milho. A região combina extensas áreas mecanizáveis, clima favorável e adoção do modelo de dupla safra, fatores que sustentam o desempenho operacional das fazendas.
O movimento do mercado também se reflete do lado da base de investidores. O fundo alcançou aproximadamente 14 mil cotistas recentemente, frente aos cerca de 3,8 mil investidores de abril de 2025. Na comparação anual, isso equivale a expansão superior a 260%, sinalizando maior interesse por ativos que capturam a valorização de terras e a renda derivada de arrendamentos agrícolas.
A tese do FII se beneficia do crescimento do consumo local, apoiado pela indústria de etanol de milho instalada no estado. Com novas alternativas de escoamento doméstico, produtores ampliam margens de decisão entre vender internamente ou exportar, o que contribui para maior resiliência da cadeia.
SNFZ11: terceira emissão amplia portfólio em MT
Em linha com a expansão do agronegócio, o fundo realiza sua terceira emissão de cotas, com objetivo de captar cerca de R$ 120 milhões. Os recursos têm destinação para aquisição de novas propriedades rurais no estado, com foco na expansão do portfólio e diversificação de áreas agricultáveis.
Caso a alocação seja integral, a carteira poderá adicionar aproximadamente 2,2 mil hectares agricultáveis. A ampliação reforça a presença do fundo em um dos mercados mais dinâmicos do agronegócio global, com foco em regiões de alta eficiência operacional e demanda consistente por grãos.
Os dados destacados pela FAO ajudam a dimensionar o papel do Brasil no equilíbrio entre oferta e demanda global de alimentos. O salto de produção desde 2005 e a liderança em soja e milho, ancorada por ganhos de produtividade e pela safrinha, sustentam a atratividade de ativos vinculados a terras agrícolas em regiões como o Mato Grosso.
Esse ambiente, marcado por escalabilidade, infraestrutura em evolução e novas frentes industriais, como o etanol de milho, tende a manter a relevância do estado no mapa do agro. Para fundos com exposição direta a terras, como o SNFZ11, trata-se de uma combinação de vetores que moldam a dinâmica de receita de arrendamento e o potencial de valorização fundiária, sem configurar, por si só, recomendação de investimento.