O FI-Infra BIDB11 (BIDB11) realizou, em abril, o desinvestimento na emissão da concessionária de saneamento Águas do Rio, vinculada ao grupo Aegea. A decisão ocorreu após a companhia revisar critérios contábeis e reapresentar demonstrações financeiras, em razão de desafios operacionais no Rio de Janeiro, com destaque para a inadimplência elevada. A gestora informou que reforçou o monitoramento do portfólio e segue confiante na qualidade de crédito dos ativos, sustentada por estruturas de project finance e por um ambiente de juros reais que favorece títulos incentivados.
Segundo a administração, os impactos da revisão contábil da Águas do Rio não caracterizam deterioração estrutural do setor de saneamento. O fundo atribuiu o caso a particularidades socioeconômicas da área atendida, que exigiram maior conservadorismo na mensuração de receitas e provisões de perdas.
Principais pontos:
- Desinvestimento foi motivado por revisão contábil da Águas do Rio e reapresentação de balanços.
- Companhia passou a reconhecer parte das receitas apenas quando recebidas e a excluir clientes com inadimplência prolongada ou cadastros incompletos.
- Critérios mais conservadores de provisão de créditos vencidos afetaram o patrimônio líquido da empresa.
- Gestora reforça que o episódio é específico à região do projeto e não indica enfraquecimento do segmento de saneamento no país.
- Fundo intensificou análise de covenants, estrutura de capital e percepção de risco de mercado das investidas.
- Foco adicional em empresas com ágio relevante de aquisições, altos saldos de contas a receber e ativos fiscais diferidos.
- Carteira majoritariamente estruturada em project finance, reduzindo sensibilidade à Selic; concentração em emissores de maior qualidade de crédito.
- Retorno acumulado em 2026 até abril na cota de mercado de 6,06%, acima da NTN-B 2032 (4,71%); cota patrimonial sobe 1,42% no período; desde o início, cota de mercado rende 52,26% vs. 38,89% da NTN-B 2032.
No comunicado, a gestora detalhou que a revisão contábil da Águas do Rio incluiu o reconhecimento de receitas apenas após o efetivo recebimento. Essa mudança excluiu clientes com atraso relevante e cadastros incompletos da base de faturamento, refletindo a realidade de cobrança em determinadas áreas atendidas.
A companhia também adotou provisões mais robustas para créditos vencidos. Esse ajuste elevou o nível de conservadorismo dos balanços, porém pressionou o patrimônio líquido e alterou métricas de desempenho, o que levou o mercado a reavaliar riscos associados à execução do projeto.
A administração do fundo salientou que essas medidas reforçam a aderência às melhores práticas contábeis em contextos de inadimplência elevada, ainda que produzam efeitos negativos no curto prazo sobre indicadores patrimoniais.
A decisão de desinvestir buscou ajustar a exposição do portfólio aos novos parâmetros de risco percebidos após as reapresentações dos demonstrativos financeiros. A gestora enfatizou que segue acompanhando desdobramentos operacionais e contábeis do caso.
Gestão do BIDB11 intensifica monitoramento
Diante do episódio, o fundo passou a intensificar a análise dos balanços das empresas investidas, com foco na antecipação de possíveis impactos em covenants, estrutura de capital e percepção de risco pelo mercado. O objetivo é mitigar riscos de crédito e preservar a qualidade da carteira.
A atenção recai, prioritariamente, sobre companhias que detêm volumes relevantes de ágio oriundo de aquisições, que podem afetar métricas contábeis em ciclos de estresse, e sobre empresas com saldos elevados em contas a receber e ativos fiscais diferidos. Esses itens tendem a aumentar a sensibilidade dos balanços a revisões de premissas e a choques macroeconômicos.
A gestora avalia que o portfólio do fundo permanece bem-posicionado para o atual estágio do mercado de crédito. A predominância de estruturas de project finance, que vinculam fluxos do projeto à dívida e a garantias específicas, reduz a correlação das investidas com o nível da taxa Selic e com oscilações de curto prazo.
Além disso, a concentração em emissores considerados de qualidade de crédito elevada dentro do segmento de infraestrutura, somada ao ambiente de juros reais altos, tende a favorecer a performance de ativos incentivados, que remuneram com base em indexadores de inflação e prêmios reais.
Retorno do BIDB11 em 2026 e desde o início
Os resultados recentes refletem a resiliência da carteira. De acordo com o relatório gerencial, o fundo acumula alta de 6,06% na cota de mercado em 2026 até abril, superando o desempenho de 4,71% da NTN-B 2032. No mesmo período, a cota patrimonial registra avanço de 1,42%.
No acumulado desde o início das operações, a cota de mercado soma 52,26% de retorno, acima dos 38,89% da NTN-B 2032. Segundo a administração, o histórico demonstra capacidade de atravessar ciclos com disciplina de risco e seleção criteriosa de ativos.
A gestora reforçou que seguirá monitorando de perto indicadores operacionais e financeiros das investidas, buscando antecipar efeitos de mudanças contábeis, condições de liquidez e eventuais revisões de estrutura de capital, com o objetivo de preservar o equilíbrio risco-retorno do portfólio.
Por fim, o fundo reiterou a leitura de que o caso observado no Rio de Janeiro deriva de características locais do projeto e não altera a visão de longo prazo para o setor de saneamento, mantendo a ênfase em governança, garantias contratuais e métricas de crédito em cada emissão.