O avanço da geração fotovoltaica no Brasil elevou a capacidade instalada, mas parte da eletricidade produzida não é aproveitada integralmente por limites operacionais do sistema. Para mitigar desperdícios e sustentar a expansão da oferta, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) apresentou uma agenda ao governo federal que assume em 2027, com propostas como leilões anuais de capacidade para armazenamento, contratação mínima de 8 GW em baterias e instalação de 18 GW adicionais de usinas solares de grande porte até 2030.
No mercado, o FII SNEL11, voltado a ativos de geração de energia solar, reportou 125 mil cotistas após triplicar a base em 12 meses. A combinação de aumento de oferta, necessidade de armazenamento e criação de novas cargas consumidoras compõe um cenário de maior demanda por infraestrutura para geração, integração à rede e sistemas de suporte à operação elétrica.
- A fonte solar atingiu cerca de 68 GW de capacidade instalada operacional em 2026, segunda maior da matriz elétrica, com 23% a 25% de participação.
- A Absolar sugere leilões anuais de capacidade com neutralidade tecnológica e ao menos 8 GW em sistemas de armazenamento.
- O plano inclui 18 GW de usinas solares centralizadas até 2030 e energia solar para 3 milhões de unidades consumidoras no fim da década.
- Para absorver oferta, a entidade propõe estimular novas cargas: data centers, projetos de hidrogênio verde e indústrias eletrointensivas.
- O SNEL11 passou de 37.520 para 125 mil investidores em 12 meses, crescimento de 233,5% (+87,5 mil).
SNEL11 e a expansão da energia solar
A expansão da fonte fotovoltaica, com cerca de 68 GW em operação no país em 2026, trouxe cortes de geração renovável em momentos de oferta excedente. Esse descompasso reforça a necessidade de sistemas de armazenamento, capazes de transferir energia dos horários de maior produção para períodos de maior demanda.
Para o segmento de fundos expostos a ativos de geração, como o SNEL11, a maior exigência por infraestrutura de integração, reforço de rede e soluções de flexibilidade cria espaço para ativos operacionais e projetos vinculados à expansão do parque solar. Trata-se de um movimento condicionado à evolução regulatória, ao desenho de leilões e à viabilidade econômica de soluções como baterias e gestão de cargas.
A Absolar estruturou suas propostas em três frentes: Bateria Brasil, Energia que Emprega e Sol para Todos. Além da expansão de usinas centralizadas até 2030, a entidade prevê levar a fonte a 3 milhões de unidades consumidoras, o que abrange geração distribuída e iniciativas de acesso à eletricidade renovável.
Baterias podem reduzir desperdício de energia solar
Na frente Bateria Brasil, a associação propõe leilões anuais de capacidade com neutralidade tecnológica. Em leilões de capacidade, o governo contrata disponibilidade para o sistema, remunerando ativos que assegurem atendimento em momentos críticos. A neutralidade tecnológica permite que diferentes soluções — por exemplo, baterias eletroquímicas, armazenamento térmico ou outras tecnologias — concorram de forma equivalente, desde que atendam aos requisitos do edital.
A pauta inclui a contratação de pelo menos 8 GW em sistemas de armazenamento. A Absolar também defende ampliar o uso de baterias integradas a usinas solares centralizadas e a sistemas de geração própria, tanto em novos empreendimentos quanto em instalações existentes. A meta é reduzir cortes de geração, suavizar picos de produção e agregar previsibilidade ao despacho.
A entidade aponta, adicionalmente, a importância de criar novas cargas para absorver a oferta renovável. Entre os segmentos citados estão data centers, projetos de hidrogênio verde e indústrias eletrointensivas. Esses consumidores demandam grandes volumes de eletricidade, o que pode alinhar o crescimento da oferta à expansão do consumo, reduzindo a necessidade de cortes e aumentando o fator de utilização dos ativos.
Do ponto de vista setorial, a execução das propostas demanda coordenação regulatória, desenho de produtos adequados em leilões e definição de critérios de conexão e operação para armazenamento. Também requer padronização de regras para baterias associadas a empreendimentos existentes e novos, com clareza sobre responsabilidades e remuneração por serviços ao sistema.
No varejo, o SNEL11 alcançou 125 mil cotistas. Há 12 meses, o fundo registrava 37.520 investidores. O avanço de aproximadamente 233,5% representa a entrada de cerca de 87,5 mil novos cotistas no período. O crescimento ocorre em um contexto de maior interesse por ativos vinculados à cadeia de geração renovável e por estruturas que buscam renda com base em contratos e operação de ativos do setor.
Ao conectar expansão de oferta, armazenamento e criação de carga, a agenda da Absolar sinaliza um caminho para reduzir desperdícios e dar previsibilidade ao crescimento da fonte. A materialização das medidas pode influenciar o cronograma de novos projetos e a integração de tecnologias como baterias no sistema elétrico brasileiro.