Com mais de 174 mil cotistas e patrimônio líquido acima de R$ 1 bilhão, o VGIA11 se consolidou como o maior fundo do agronegócio listado na B3. Em meio à volatilidade recente, desencadeada por notícias sobre a Cooperativa Languiru, o fundo manteve a distribuição de dividendos, detalhou garantias robustas e reiterou a diversificação da carteira para sustentar a eficiência operacional.
Na última semana, as cotas registraram queda aproximada de 17% após o atraso no pagamento de juros de um título emitido pela cooperativa. O gestor Guilherme Grahl classificou o movimento como “totalmente irracional”, em razão da dimensão do evento frente ao patrimônio do fundo e às proteções contratadas.
- PL acima de R$ 1 bilhão e mais de 174 mil cotistas
- Queda de cerca de 17% nas cotas em uma semana
- Atraso de juros de aproximadamente R$ 500 mil (0,05% do PL)
- Exposição total do fundo à Cooperativa Languiru: 12,3% do PL
- Garantias: real >100% da posição, alienação fiduciária, hipoteca, cessão de recebíveis, penhor e avais
- Carteira com 42 operações; diversificação entre cooperativas (33,5%), distribuidoras (30,7%), produtores (30,6%) e indústria (5,1%)
- Caixa equivalente a 14,8% do PL e reserva de R$ 13,2 milhões
- Histórico: 150% do CDI em 5 anos; pagamento mensal ininterrupto
- Dividendos mantidos: R$ 0,13 por cota referentes a junho de 2026
- Reconhecimento: Melhor FI-Agro em duas edições do Outliers InfoMoney; RZAG11 e SNAG11 vieram na sequência
Contexto do VGIA11 e o caso Languiru
O atraso ocorreu no pagamento de juros de um CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio) emitido pela Cooperativa Languiru, no valor de cerca de R$ 500 mil. Esse montante representa 0,05% do patrimônio do fundo, enquanto a exposição total do VGIA11 à cooperativa soma 12,3% do PL.
Segundo a gestora, as garantias que lastreiam a operação incluem: garantias reais que superam 100% da posição do fundo; alienação fiduciária de máquinas e equipamentos; hipoteca do frigorífico da cooperativa, que opera em três turnos e está habilitado para exportar à China; cessão fiduciária de recebíveis; penhor agrícola de grãos; e avais. Em entrevista, Grahl afirma: “A gente tem o respaldo jurídico de garantia real e líquida que cobre a posição”.
A gestão ressalta ainda que a situação atual da cooperativa é, nas palavras do gestor, “10 vezes mais confortável do que há dois anos atrás”, período em que a Languiru também passou por reestruturação. No comunicado, a administradora indica que “até o momento, não entendemos que este evento trará impacto no fundo considerando as garantias e o avanço estratégico/jurídico que já ocorreram durante a renegociação”.
Carteira, liquidez e dividendos do VGIA11
O portfólio do VGIA11 contempla 42 operações, distribuídas entre cooperativas (33,5%), distribuidoras de insumos (30,7%), produtores (30,6%) e indústria (5,1%). A pulverização por perfis de risco e segmentos reduz a dependência de um único devedor ou cadeia específica do agronegócio. O fundo é estruturado na forma de Fiagro, veículo voltado a financiar as cadeias produtivas do setor agroindustrial.
Além da diversificação, o fundo mantém posição de caixa equivalente a 14,8% do patrimônio, reforçando a liquidez para fazer frente a obrigações e oportunidades táticas. A gestão também aponta a existência de reserva de rendimentos de R$ 13,2 milhões, atrelada à reavaliação de crédito dos CRAs da Languiru na carteira, o que amplia o colchão para a manutenção de pagamentos.
A política de proventos preserva a regularidade. Ao longo de sua história, o fundo nunca ficou um mês sem pagar dividendos. No acumulado de cinco anos, o desempenho distribuído alcançou 150% do CDI, com pagamentos constantes e sem oscilações significativas na série histórica. Mesmo diante do episódio recente, o VGIA11 confirmou o pagamento de R$ 0,13 por cota referente a junho de 2026.
Reconhecimento e desempenho do VGIA11
A estratégia da Valora Investimentos, responsável pela gestão do fundo, vem sendo reconhecida pelo mercado. O VGIA11 foi eleito por duas vezes consecutivas o Melhor FI-Agro na Premiação Outliers InfoMoney. Na edição anunciada em fevereiro, o fundo ficou em primeiro lugar no segmento, seguido por RZAG11 e SNAG11.
Apesar da reação de curto prazo, a gestora destaca que a queda de aproximadamente 17% nas cotas implicou desconto relevante em relação ao valor patrimonial. O fundo segue monitorando a situação da Languiru e a execução das garantias, quando aplicável, mantendo a gestão ativa para preservar a integridade do portfólio e a previsibilidade de distribuição.
Ao consolidar tamanho, diversificação de carteira, liquidez e garantias contratuais, o VGIA11 reforça os pilares da sua tese de investimento no agronegócio. A administração afirma que continuará acompanhando a renegociação do CRA da Languiru e reportando os desdobramentos ao mercado, com foco na disciplina de risco e na manutenção de pagamentos mensais aos seus cotistas.