O fundo imobiliário TRXF11 concluiu a venda de 15 imóveis ao BRC Renda Urbana FII por R$ 207,25 milhões, em operação estruturada por troca de cotas, sem pagamento em dinheiro. A transação preserva a liquidez do adquirente e permite ao vendedor manter exposição indireta aos ativos, reforçando a estratégia de reciclagem de portfólio com disciplina de preço e governança.
Segundo a gestora TRX, o negócio deve gerar lucro líquido de R$ 31,9 milhões, equivalente a R$ 0,51 por cota, refletindo um cap rate médio de 8,13% ao ano, em linha com o último laudo. A ABL total envolvida soma 29.360 m², distribuída em 10 cidades e cinco estados, com contratos de locação que vencem entre 2029 e 2045, o que sustenta previsibilidade de caixa e prazos longos.
Entre os ativos, destacam-se 11 agências da Caixa Econômica Federal, duas lojas do Extra (GPA), um imóvel com Americanas e Dasa e um centro comercial em São Luís/MA. A TIR estimada da operação é de 38,49% ao ano (107% do CDI) para o período de detenção dos ativos, atributo relevante em um cenário de juros em trajetória de estabilidade, o que reforça a atratividade relativa do portfólio.
A liquidação ocorrerá por cotas de nova emissão do BRC Renda Urbana FII em até cinco dias úteis após o registro da oferta. Com isso, o TRXF11 deixa de deter os imóveis diretamente, mas preserva a exposição via participação no fundo adquirente. A transferência da posse ocorrerá na data de integralização, e os instrumentos definitivos devem ser assinados em até 60 dias.
Após a venda, o portfólio do TRXF11 passa de 121 para 106 imóveis, reduzindo o valor investido de R$ 7,49 bilhões para R$ 7,32 bilhões. O fundo seguirá presente em 18 estados, com prazo médio de 13,44 anos, mantendo perfil de contratos de longo prazo e concentração em inquilinos corporativos de alta qualidade, o que favorece a resiliência dos rendimentos.
Maio registrou intensa atividade: o fundo distribuiu R$ 0,93 por cota, pago em 15 de junho, com dividend yield mensal de cerca de 1,01% sobre o preço de fechamento de R$ 91,80. O resultado operacional de abril foi de R$ 53,9 milhões; além do negócio com o Hospital Sírio-Libanês e da venda ao BRC, foi concluída a alienação de nove ativos anunciada em dezembro de 2025, somando R$ 672 milhões e lucro estimado de R$ 230 milhões (R$ 3,68 por cota).
Com esse reforço de caixa, a gestora indicou possibilidade de dividendo extraordinário em julho, estimado entre R$ 1,30 e R$ 1,80 por cota, enquanto o guidance recorrente permanece entre R$ 0,90 e R$ 0,93 até dezembro de 2026. A base de investidores também avançou: ao fim de maio, o TRXF11 tinha 315.229 cotistas, cerca de 98 mil a mais que no encerramento de 2025, sinalizando maior interesse de pessoas físicas em FIIs corporativos.