Economia Internacional

Bear market: existem oportunidades no estado de pessimismo?

Bear market: existem oportunidades no estado de pessimismo?

Quem entende um pouco sobre bolsa de valores já ouviu falar em bear market. No entanto, o urso não é o animal que representa o mercado de ações. Então, o que esse termo significa?

bear market representa um período de queda significativa do mercado. Por isso, é um estado de pessimismo. Ainda assim, existem oportunidades nesse cenário.

Neste post vamos explicar o conceito e como você pode utilizá-lo a seu favor. Confira.

O que é bear market?

O bear market indica o pessimismo do mercado, de um título ou de um setor. Assim, há tendência de queda no preço das ações, seguindo a expectativa geral dos investidores. Além disso, é possível haver mais reduções.

A tradução livre seria mercado do urso, como também é chamado. Portanto, sempre que um desses termos é usado, indica que há um grande descrédito.

Isso é válido mesmo que o valor do ativo ainda tenha sofrido uma pequena queda. Afinal, o prejuízo à reputação diante dos vários agentes econômicos continua puxando o preço para baixo.

Esse cenário também faz os investidores em geral anteciparem suas perdas. Desse modo, vendem seus papéis no mercado. O resultado é a queda da bolsa de valores.

Na prática, o bear market tende a levar a uma diminuição considerável do patrimônio dos investidores. A referência ao urso é feita, porque esse animal ataca com as garras de cima para baixo.

Um plano cartesiano tem uma linha de gráfico apontando para baixo, como ocorre no movimento do bear market

Como funciona o mercado do urso?

A principal característica do bear market é o movimento de queda nos preços dos ativos em determinado período. Geralmente, é um intervalo de tempo mais longo.

Além disso, é preciso que o valor tenha reduzido mais de 20% quando comparado a ma alta anterior de mesmo percentual. Nesse contexto, afirma-se que o mercado está bearish. Ou seja, opera em baixa.

Apesar dessas referências existirem, esse é um processo gradual. Além disso, o mercado de urso pode ser determinado mesmo sem chegar a essa porcentagem. Por isso, o mais correto é avaliar o nível de pessimismo.

Portanto, o que acontece é o seguinte: a redução inicial no valor dos ativos gera receio nos investidores. Eles entram no efeito manada e seguem a tendência. Assim, vendem seus papéis. Essa movimentação faz os preços caírem ainda mais em ciclos sucessivos.

Esse cenário surge da diminuição na expectativa de lucro das companhias de capital aberto. Elas negociam suas ações na bolsa de valores. Assim, são impactadas pela decisão dos investidores de venderem suas posições.

Como consequência, algumas empresas podem aumentar seus negócios. No entanto, a cotação nem sempre acompanha essa melhoria.

Isso porque é impossível prever qual será o mínimo alcançado. Inclusive, pode levar meses ou anos até atingir esse patamar e começar a reversão.

O que isso significa para investidor? Oportunidades. Esse é um bom cenário para comprar ativos. Afinal, o preço está baixo. Por sua vez, o ideal é evitar a venda.

Dessa forma, entender o que é bear market é uma maneira de aproveitar esse cenário para aumentar seu patrimônio. Isso porque você compra empresas com uma margem de segurança.

Bear market x bull market: conheça as diferenças

O bear market é o período em que há queda nos preços dos ativos. Assim, a expectativa dos investidores vai diminuindo ainda mais.

Por sua vez, o bull market é o oposto. Esse termo é usado para designar o mercado em alta. Esse é o chamado mercado de touro, porque esse animal é referência para a bolsa de valores.

Assim, o bull market sinaliza um período de amplo otimismo no mercado. Isso leva ao aumento dos preços das ações e da demanda por elas.

Ainda surgem os termos derivados: bullish e bearish. O primeiro se refere ao otimismo dos investidores e à crença de que o preço dos ativos vai subir. O segundo indica as expectativas baixas, que geram queda nos preços de mercado.

A imagem mostra um urso (bear market) e um touro (bull market) se enfrentando. Entre eles, tem uma seta enviesada em sentido para baixo

Quais são os sinais do mercado de urso?

Antes do bear market se estabelecer de verdade, alguns sinais são apresentados. Veja quais são eles.

As bolsas caem ou se movimentam de lado

O primeiro sinal para identificar um período bearish é a lateralidade do preço dos ativos. Isso indica que ações e outros ativos estão com o valor mais baixo.

A incerteza é elevada

Quando existem períodos de incerteza, os investidores costumam fogem dos ativos arriscados. Assim, o preço das ações caem devido à redução dos investimentos na bolsa.

Os investidores optam pela renda fixa

Quando o mercado do urso se estabelece, os investidores tendem a migrar para a renda fixa. Ou seja, eles desistem da variável.

Isso acontece, principalmente, quando a taxa Selic está elevada. Assim, o retorno na renda fixa melhora.

A crise permanece por um longo período

Os períodos de instabilidade econômica fazem os investidores optarem menos pelas ações. Isso porque a opção é por ativos mais seguros e com menor volatilidade.

Esse movimento demonstra a queda na confiança para comprar ações. Assim que surgirem os primeiros sinais de melhoria, o bear market é encerrado.

Qual a duração do bear market?

Não existe um período de tempo predeterminado para o mercado do urso. Pode ser apenas algumas semanas ou superior a uma década.

De toda forma, existem casos famosos de bear market que trazem um bom indicativo. Veja alguns exemplos:

  • bolha da internet, com a expectativa sobre as empresas de tecnologia;
  • crise do subprime, que gerou uma crise no mercado imobiliário dos Estados Unidos;
  • recessão econômica brasileira após 2014, que aumentou a desconfiança da população;
  • pandemia da COVID-19, que se espalhou pelo mundo.

Apesar de ser um período negativo, o cenário de bear market também traz oportunidades. É importante se preparar para aproveitá-las. Assim, você usa a educação financeira a seu favor.

Jacinto Neto
Jacinto Neto
Analista CNPI e sócio do Funds Explorer
Formado em administração pública pela FGV-SP, mestre em Finanças e Controladoria pela FIPECAFI, analista CNPI e sócio do Funds Explorer. Possui experiência maior que 5 anos, trabalhando com estratégia de investimentos, planejamento e modelagem financeira, além de análise de fundos de investimento imobiliário.