A geração global de energia a partir de combustíveis fósseis ficou praticamente estagnada em 2025, um raro ponto de inflexão em que o mundo interrompeu a expansão movida a carvão, petróleo e gás. Impulsionadas pela rápida adoção de renováveis, geração fóssil e emissões associadas perderam tração, com destaque para os movimentos simultâneos de China e Índia. Em paralelo, no Brasil, fundos expostos à geração distribuída, como o SNEL11, surfam o ciclo de investimentos em energia solar.
A desaceleração da geração fóssil decorre do salto de solar e eólica em economias estratégicas. No Brasil, o ambiente favorece estratégias focadas em usinas fotovoltaicas conectadas ao modelo de geração distribuída, com contratos de longo prazo e receitas previsíveis, que ganham apelo diante da busca por redução de custos energéticos.
Levantamento da Ember indica queda de 0,2% na geração fóssil global em 2025, interrompendo uma sequência de altas ancoradas na demanda elétrica mundial. Pela primeira vez neste século, China e Índia reduziram juntas a produção térmica, mudando o vetor de crescimento do setor elétrico. Esse é um sinal de maturidade da transição, com renováveis cobrindo a nova carga.
Na China, o avanço recorde da solar atendeu fatia relevante da demanda incremental. Na Índia, a combinação de solar, eólica e hidrelétrica diminuiu a necessidade de expansão térmica. A energia solar, sozinha, respondeu pela maior parte do crescimento líquido do consumo elétrico global no período.
SNEL11 amplia presença na geração distribuída solar no Brasil, com a compra recente de 20 usinas em diferentes estados, somando 87,5 MWp e aporte de R$ 436,2 milhões. O papel acumula alta de 12,19% em 12 meses, refletindo a tese de receitas recorrentes e preferência do investidor doméstico por renda previsível.
Modelo operacional e perspectivas
O fundo adota estrutura de locação de ativos, em que “o SNEL não vende energia; aluga os ativos para consórcios ou consumidores”, diz Guilherme Barbieri, Head de Infraestrutura da Suno Asset. O arranjo busca previsibilidade semelhante ao imobiliário e mitiga parte da volatilidade do setor elétrico.
Segundo a Ember, a geração solar global segue em curva exponencial, praticamente dobrando a cada três anos. No Brasil, o setor já movimentou mais de R$ 300 bilhões, gerou mais de 2 milhões de empregos e arrecadou cerca de R$ 96 bilhões em tributos, consolidando-se como pilar de infraestrutura energética. O número de cotistas do SNEL11 saltou de ~65 mil para >90 mil entre o fim de 2025 e março de 2026, reforçando o apetite por ativos ligados à transição. Com renováveis ganhando escala, a geração fóssil tende a perder espaço de forma estrutural.