O fundo imobiliário VGRI11 firmou acordo para vender integralmente sua participação de 50% no edifício Cidade Jardim, localizado na Avenida Cidade Jardim, em São Paulo.
A transação foi fechada por R$ 345 milhões, equivalente a um preço médio de R$ 46.259,05 por metro quadrado. A área bruta locável (ABL) do imóvel é de 7.458 m², que será totalmente retirada da carteira do VGRI11 após a conclusão do negócio.
O pagamento será realizado em duas etapas: R$ 120,75 milhões (35%) na assinatura da escritura e R$ 224,25 milhões (65%) em até seis meses, corrigidos pelo IPCA.
O acordo formaliza os termos já divulgados em fato relevante de agosto de 2025, dando previsibilidade ao cronograma e às condições de liquidação financeira. Para a gestão, o desenho em fases reduz risco de contraparte e preserva valor.
Mudanças no ambiente macro explicam a decisão do fundo imobiliário. Desde a compra do ativo, em março de 2024, houve forte deterioração das condições financeiras, com a Selic atingindo 15% ao ano. O encarecimento do capital elevou o custo de financiamento e restringiu o apetite por risco no mercado, pressionando os retornos esperados.
Além disso, o ciclo de alta dos juros afetou os fundos imobiliários de tijolo, reduzindo a janela para novas emissões de cotas. Diante da menor capacidade de captação, o VGRI11 alongou dívidas de curto prazo, parte relevante atrelada ao CDI e, portanto, sensível à Selic. Esse quadro aumentou as despesas financeiras e impactou os resultados do portfólio.
A gestão afirma que, apesar do custo atual da dívida, a venda é a alternativa mais eficiente para reequilibrar a estrutura de capital. A proposta representa valorização de 21,9% sobre o preço de aquisição de março de 2024, sustentada por um trabalho ativo de 21 meses que ampliou a receita de locação do ativo em 24,4%. A Valora ressalta que, mesmo sem compressão de cap rates, houve criação de valor via incremento de receitas.
Com a conclusão da operação, os recursos serão direcionados prioritariamente à amortização das obrigações financeiras do fundo imobiliário, reduzindo alavancagem e fortalecendo a posição de caixa. A expectativa é melhorar o perfil de dívida e restaurar flexibilidade para decisões futuras.