A China avança na construção da chamada “Grande Muralha Solar”, um corredor de usinas fotovoltaicas de cerca de 400 quilômetros no deserto de Kubuqi, na Mongólia Interior. O complexo pretende alcançar 60 gigawatts (GW) de capacidade, com 27,3 GW já em operação. O suprimento atenderá picos de demanda de grandes centros urbanos e integrará a matriz local ao lado de eólica e carvão. O movimento é acompanhado por investidores do fundo imobiliário SNEL11, que monitoram tendências globais do setor.
Instalado em área de alta insolação e amplo espaço para projetos de grande porte, o empreendimento combina ampliação da oferta elétrica com recuperação ambiental para conter a desertificação. Segundo autoridades chinesas, os projetos em operação evitam a emissão anual de 1,6 milhão de toneladas de CO2. Apesar do avanço renovável, a região segue como maior produtora de carvão do país, o que indica uma transição gradual da matriz.
Principais pontos:
- Corredor de 400 km de usinas fotovoltaicas no deserto de Kubuqi.
- Meta de 60 GW de capacidade instalada; 27,3 GW já operacionais.
- Suprimento a picos urbanos; complemento à eólica e ao carvão.
- Recuperação de áreas degradadas para conter a desertificação.
- Estimativa de 1,6 milhão tCO2/ano evitadas com parques em operação.
- Mongólia Interior ainda lidera produção de carvão na China.
- O FII SNEL11 investe em geração solar no Brasil e ampliou base de cotistas.
- 5ª oferta pode elevar patrimônio a R$ 3,29 bilhões e a 635,2 MWp.
Expansão renovável e SNEL11 no contexto global
A chamada “Grande Muralha Solar” foi planejada para aproveitar condições geográficas favoráveis e ganhos de escala. A estimativa de 60 GW coloca o complexo entre as maiores concentrações de geração do mundo. A energia será direcionada ao atendimento de picos de consumo, quando a demanda das cidades cresce, reduzindo o uso marginal de fontes mais emissoras.
Projetos de grande escala como esse reforçam a tendência global de crescimento da energia solar, impulsionada pela eletrificação de processos, pela digitalização e por metas de descarbonização. A China mantém investimentos acelerados em renováveis, embora siga dependente do carvão, sobretudo na Mongólia Interior. Esse equilíbrio indica uma transição energética gradual, em que novas plantas solares e eólicas passam a dividir espaço com térmicas na garantia de suprimento.
No Brasil, o setor de geração distribuída — quando a produção de energia ocorre perto do consumo, muitas vezes em telhados, galpões ou fazendas solares — vem ganhando tração com o avanço regulatório e a redução de custos de tecnologia fotovoltaica. O SNEL11 direciona capital para ativos desse segmento, o que o posiciona para acompanhar a expansão de infraestrutura de energia limpa no país. As referências globais, embora não impactem diretamente seus ativos, ajudam a dimensionar a tendência estrutural do mercado solar.
SNEL11 cresce 233% em 12 meses e alcança 115 mil cotistas
O SNEL11 alcançou 115 mil cotistas, ante 34.559 em junho do ano passado, um avanço de aproximadamente 233% em 12 meses. O crescimento ocorreu em paralelo à expansão do portfólio, ao ganho de liquidez no mercado secundário e à execução da quinta emissão de cotas.
Nos últimos meses, o fundo registrou volumes recordes de negociação na B3, refletindo maior interesse pelo segmento de infraestrutura de geração solar distribuída. A base de investidores cresceu ao mesmo tempo em que a capacidade operacional do portfólio superou 100 MWp já em funcionamento. O indicador MWp (megawatt-pico) representa a potência máxima do sistema fotovoltaico em condições padrão.
5ª emissão do SNEL11 pode levar patrimônio a mais de R$ 3 bi
De acordo com o prospecto da oferta, a operação tem potencial para elevar o patrimônio líquido do fundo de R$ 889,9 milhões para até R$ 3,29 bilhões, considerando a colocação integral das cotas e o eventual exercício do lote adicional. O objetivo é ampliar a escala de investimentos, diversificar receitas e apoiar novas implantações.
Se concluída nos termos indicados, a expansão também aumentará de forma relevante a capacidade dos ativos, de 149,4 MWp para 635,2 MWp. O número de projetos no portfólio pode passar de 37 para 224, com a incorporação de 187 novas usinas solares. Essa trajetória indica maior capilaridade geográfica e diluição de riscos operacionais entre diferentes empreendimentos, contratos e prazos.
Embora a “Grande Muralha Solar” esteja na China e não interfira diretamente nos resultados do SNEL11, o avanço global de projetos de grande porte reforça a direção do mercado. A combinação de escala, metas climáticas e demanda crescente por eletricidade segue estruturando oportunidades para ativos de infraestrutura de energia limpa, no Brasil e no exterior.