O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, lidera missão oficial na China entre 17 e 21 de maio, com foco em ampliar o comércio agropecuário e acelerar novos acordos sanitários. A agenda contempla encontros em Xangai e Pequim com a Administração Geral das Alfândegas da China (GACC), além de reuniões com os ministérios da Agricultura e do Comércio chineses. O momento é estratégico para o Brasil consolidar posição no maior mercado asiático para o setor.
O itinerário inclui participação na SIAL 2026, uma das maiores feiras de alimentos e bebidas da Ásia. A presença brasileira busca fortalecer a imagem do país como fornecedor confiável e diversificado, alinhando diplomacia comercial e promoção de negócios. Entre 2019 e 2025, o Brasil garantiu 25 novas aberturas de mercado no país asiático, evidenciando o avanço regulatório.
As exportações do agronegócio brasileiro para a China somaram mais de US$ 55,3 bilhões em 2025, o equivalente a cerca de 32,7% do total do setor. O portfólio inclui complexo soja, proteínas animais, gergelim, farinha de aves e DDG de milho, reflexo da crescente complementaridade produtiva. Esse fluxo consolida a parceria e dá previsibilidade às cadeias globais.
Entre janeiro e março, o Brasil manteve a liderança no fornecimento de soja à China, com mais de 6,5 milhões de toneladas embarcadas em 2026. A Argentina ficou em segundo lugar, com 3,2 milhões de toneladas, e os Estados Unidos em terceiro, com 1,4 milhão. Em fevereiro, os embarques brasileiros avançaram cerca de 68% na comparação anual, enquanto os EUA recuaram 66%, sinalizando competitividade estrutural do produto nacional.
O fortalecimento dos laços com a China impulsiona teses de investimento em ativos do agronegócio listados na bolsa. Entre os destaques, os fiagros SNFZ11 e SNAG11 tendem a se beneficiar do ciclo de demanda. O primeiro possui exposição direta a propriedades no Mato Grosso, polo de soja e milho safrinha, incluindo fazendas em Gaúcha do Norte (MT). Já o SNAG11 atua via crédito privado, financiando operações da cadeia produtiva.
A demanda chinesa por grãos sustenta a valorização de terras agrícolas e a expansão da produção. Dados da Embrapa indicam alta superior a 113% no valor médio das terras nos últimos cinco anos, beneficiando estruturas atreladas à apreciação fundiária e à renda recorrente. Com a China consolidada como principal parceira do agro brasileiro, o cenário favorece investimentos e a continuidade do crescimento das exportações.