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Faz sentido investir em fundos de tijolo? Veja o caso do BRCO11

Faz sentido investir em fundos de tijolo? Veja o caso do BRCO11

A queda da taxa Selic pode abrir espaço para oportunidades no mercado de fundos imobiliários. Com a renda fixa potencialmente menos atrativa, os fundos de tijolo podem ganhar a atenção dos investidores. Mas será que esse cenário favorece os FIIs de imóveis físicos? Para entender essa possibilidade, vale analisar o BRCO11, fundo imobiliário especializado em propriedades logísticas.

Por que a queda da Selic pode favorecer os fundos de tijolo?

Quando os juros caem, parte dos investidores pode buscar alternativas na renda variável, incluindo os fundos imobiliários. Nesse cenário, os fundos de tijolo podem se beneficiar tanto da procura por suas cotas quanto da geração de renda proveniente dos aluguéis.

Entretanto, essa relação não é automática. A qualidade dos imóveis, a vacância, os contratos de locação e a capacidade de geração de caixa continuam sendo fatores importantes na análise.

BRCO11: conheça o fundo imobiliário de logística

De acordo com o relatório gerencial de setembro de 2026, o BRCO11 possui 14 propriedades, com 591 mil metros quadrados de área bruta locável (ABL) e potencial de expansão de até 15%. A receita anual estabilizada contratada ultrapassa R$ 229 milhões.

Cerca de 71% das propriedades são classificadas como last mile, próximas aos grandes centros de consumo. Além disso, aproximadamente 23% da ABL está localizada em um raio de até 25 quilômetros da cidade de São Paulo.

O fundo também apresentava vacância física de 1,6% e prazo médio remanescente dos contratos de locação de 4,4 anos. Do total, 35% eram contratos atípicos, que podem oferecer maior previsibilidade de receitas.

Segundo o relatório, mais de 76% dos inquilinos possuem classificação de grau de investimento, com ratings AAA (br) a AA (br), ou equivalentes ou superiores em escala global.

Como estão os rendimentos do BRCO11?

Em setembro de 2026, o BRCO11 anunciou a distribuição de R$ 0,91 por cota, equivalente a um dividend yield anualizado de 9,8%, considerando o preço de fechamento da cota naquele mês.

No mesmo período, o fundo registrou receita total de R$ 23,25 milhões e lucro caixa de R$ 18,82 milhões. Os rendimentos anunciados somaram R$ 16,40 milhões, enquanto o lucro caixa acumulado não distribuído chegou a R$ 34,31 milhões, equivalente a R$ 1,90 por cota.

Esse saldo acumulado pode contribuir para a gestão dos rendimentos, mas não garante a manutenção dos pagamentos futuros. O dividend yield também varia conforme o preço da cota e os valores distribuídos.

Quais são os riscos?

Apesar dos indicadores operacionais, o BRCO11 está sujeito a riscos. O relatório menciona despesas relacionadas à vacância de imóveis como Bresco Canoas e Mall Viracopos, além de custos financeiros decorrentes de financiamentos contratados para a aquisição de propriedades.

A saída de inquilinos pode reduzir a receita de aluguel, enquanto o aumento das despesas pode pressionar os resultados. Além disso, a queda da Selic não garante valorização das cotas, cujos preços oscilam conforme as condições do mercado.

Afinal, faz sentido investir em fundos de tijolo em 2026?

A queda dos juros pode favorecer o interesse pelos fundos imobiliários, mas a decisão depende dos fundamentos de cada ativo e dos objetivos do investidor.

No caso do BRCO11, o portfólio diversificado, a baixa vacância física e o prazo médio dos contratos são aspectos relevantes para a análise. Ainda assim, é necessário avaliar também as despesas financeiras, a qualidade dos imóveis e a sustentabilidade dos rendimentos.

A queda da Selic pode criar oportunidades para os fundos de tijolo, mas não substitui a análise individual de cada investimento. Este conteúdo é informativo e não constitui recomendação de compra ou venda de cotas. Rentabilidade passada não garante rentabilidade futura.

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ACESSO RÁPIDO
    Daniel Campos
    Daniel Campos Especialista em Fundos Imobiliários
    Daniel Campos possui Certificado Profissional Anbima. Investidor em renda variável desde 2016, é parceiro do Funds Explorer desde 2024.

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