O fundo imobiliário Suno Energias Limpas (SNEL11) encerrou sua quarta oferta pública com captação superior a R$ 620 milhões, elevando seu valor de mercado para cerca de R$ 950 milhões. Com o movimento, o patrimônio sob gestão da Suno Asset alcançou R$ 3,3 bilhões. O foco do fundo permanece em usinas fotovoltaicas no modelo de Geração Distribuída (GD), com aquisição de ativos prontos e geração de caixa imediata.
A operação combinou captação tradicional com investidores institucionais e um arranjo que preserva a exposição dos vendedores ao setor de energia limpa. Por meio de mecanismo regulamentar, antigos proprietários vendem ativos ao fundo e compensam parte dos recursos na própria oferta, alinhando interesses e reduzindo fricções de negociação. Esse modelo ganhou relevância no ambiente atual de escassez de capital líquido no mercado.
Segundo Vitor Duarte, diretor de investimentos da Suno Asset, a estrutura aproveita regulações testadas em outros fundos e se mostra eficiente quando há múltiplas partes envolvidas. A principal vantagem, afirma, é a aquisição sem risco de performance ou vacância, com receitas desde o primeiro dia. Esse desenho permite acelerar o pipeline e reduzir o tempo entre captação e distribuição de resultados.
Os ativos em aquisição estão sendo negociados por valores inferiores aos de mercado do fundo em bolsa, abrindo espaço para crescimento com geração de valor para os cotistas sem diluição. Após a conclusão das transações, o SNEL11 deterá 100% do controle dos ativos, enquanto os antigos proprietários mantêm apenas obrigações contratuais típicas de operações de M&A.
A estratégia do SNEL11 se mostra anticíclica no cenário de juros elevados. Enquanto o mercado imobiliário tradicional depende de financiamento, o fundo investe em ativos prontos e contratos robustos. Caso o ciclo de queda de juros se acelere, a expectativa é de maior demanda pelas cotas e valorização, com impacto positivo na distribuição de rendimentos.
A estrutura de FII garante eficiência tributária relevante frente às SPEs: o veículo mantém isenções típicas de fundos imobiliários, sem incidência de PIS/Cofins, IRPJ ou CSLL. Além disso, o capital pulverizado favorece a governança, evitando controle concentrado e fortalecendo a transparência para os mais de 60 mil investidores.
Consolidação e profissionalização do mercado de energia limpa avançam, e o SNEL11 desponta como consolidador natural no setor de geração distribuída, combinando escala, previsibilidade de receita e portfólio diversificado.