O Brasil consolidou sua liderança em inovação aplicada ao campo e concentra quase oito em cada dez startups do agro na América Latina e no Caribe. A primeira edição do Radar AgTech América Latina e Caribe (LAC), coordenada pela Embrapa, mapeou o ecossistema em 23 países e identificou 2.656 empresas de base tecnológica no setor.
De acordo com o estudo, o país reúne 2.075 das 2.656 startups mapeadas, o que equivale a 78% do total regional. O levantamento associa a posição brasileira à escala do agronegócio, à presença de centros de pesquisa, universidades e investidores especializados, além do amadurecimento do ecossistema de inovação voltado ao campo.
As soluções desenvolvidas por essas empresas abrangem agricultura de precisão, inteligência artificial, automação, monitoramento remoto, gestão de dados e rastreabilidade. O objetivo é elevar a produtividade, reduzir desperdícios e aumentar a eficiência operacional nas propriedades rurais.
Esse pano de fundo também dialoga com o ambiente de crédito destinado à cadeia agro, segmento acompanhado pelo SNAG11, Fiagro — fundo de investimento nas cadeias produtivas agroindustriais — com foco em operações estruturadas ligadas ao agronegócio brasileiro.
- Brasil reúne 2.075 das 2.656 startups mapeadas (78%) no Radar AgTech LAC.
- Argentina, México, Chile, Colômbia e Uruguai aparecem na sequência, com bases menores.
- Soluções incluem agricultura de precisão, IA, automação, monitoramento, gestão de dados e rastreabilidade.
- Ecossistema regional em amadurecimento, impulsionado por pesquisa, universidades e capital especializado.
- Fiagro SNAG11 possui patrimônio próximo de R$ 1 bilhão, mais de 130 mil cotistas e carteira sem inadimplência.
- Na 5ª emissão, o fundo captou cerca de R$ 301 milhões e alocou aproximadamente R$ 200 milhões no Fiagro FIDC Irriga Brasil.
- Exposição ampliada a infraestrutura agrícola, com foco em irrigação e armazenagem.
- Segundo a Suno Asset, irrigação reduz risco climático e amplia a previsibilidade de safras.
- João Vitor Franzin destacou que sistemas irrigados protegem contra escassez hídrica e sustentam produtividade.
Inovação acompanha estratégia de longo prazo do SNAG11
As conclusões do Radar AgTech LAC indicam um ecossistema em evolução consistente na região. No Brasil, a densidade de pesquisa aplicada e a base de produtores aceleram a difusão tecnológica no campo. Esse ambiente favorece cadeias produtivas atendidas por instrumentos de crédito estruturado.
O SNAG11, embora não invista diretamente em startups, financia operações em cadeias que incorporam soluções como agricultura de precisão, automação e monitoramento remoto. Essas tecnologias elevam produtividade, reduzem custos operacionais e melhoram a gestão de risco.
Esse efeito tende a fortalecer a capacidade financeira de produtores e empresas da cadeia agro, criando condições mais robustas para operações de crédito. É nesse nicho que atuam Fiagros com foco em originação, seleção e monitoramento de recebíveis do setor.
No portfólio, o fundo intensificou a atuação em infraestrutura agrícola. Itens como armazenagem e agtechs de suporte a gestão de dados vêm se integrando às cadeias de produção, influenciando práticas de controle de qualidade e rastreabilidade.
Irrigação ganhou espaço na estratégia do SNAG11
Após a quinta emissão de cotas, o SNAG11 captou cerca de R$ 301 milhões. Desse montante, aproximadamente R$ 200 milhões foram direcionados ao Fiagro FIDC Irriga Brasil, veículo voltado ao financiamento de sistemas utilizados por produtores para irrigação.
De acordo com a Suno Asset, a irrigação é um dos principais instrumentos para mitigar riscos climáticos e ampliar a previsibilidade das safras. Ao reduzir a dependência exclusiva de chuvas, os projetos irrigados permitem um manejo mais estável do cronograma produtivo e dos níveis de produtividade.
Em apresentação a investidores, o analista João Vitor Franzin destacou que sistemas irrigados funcionam como proteção em períodos de escassez hídrica. Eles auxiliam na manutenção de patamares de produção mesmo quando o regime de chuvas é inferior ao esperado.
A ampliação da exposição a irrigação e armazenagem busca fortalecer a resiliência das cadeias, em linha com o avanço tecnológico observado no país. Ao financiar elos críticos da infraestrutura agrícola, o fundo mantém aderência a ativos com relação direta ao desempenho operacional das safras.
Com patrimônio próximo de R$ 1 bilhão, base superior a 130 mil cotistas e carteira sem registros de inadimplência, o SNAG11 segue posicionado em um setor que combina crescimento da produção com maior adoção de tecnologia no campo. A integração entre crédito estruturado e modernização operacional tende a reforçar a estabilidade financeira das cadeias financiadas.
Os dados do Radar AgTech LAC evidenciam que a liderança brasileira se apoia na escala do mercado e na capacidade de gerar e difundir inovação. Essa dinâmica sustenta um ambiente mais maduro para financiamento, com impacto na qualidade e na previsibilidade dos fluxos de pagamento ao longo das cadeias do agro.