5 perguntas e respostas sobre o SNEL11 que você precisa saber antes de investir
Recentemente, realizei uma live aqui no canal do Funds Explorer com Guilherme Barbieri, da Suno Asset, para falar sobre um dos fundos mais interessantes da indústria: o SNEL11. O fundo tem chamado atenção por investir em ativos ligados à geração de energia, algo que ainda é pouco comum dentro do universo de fundos listados.
Com base nessa conversa, organizei os principais pontos em formato de perguntas e respostas para facilitar a compreensão do investidor. A ideia é apresentar os conceitos principais do fundo, sua estratégia e alguns aspectos que merecem atenção antes de investir.
Vale lembrar que este artigo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Para recomendações formais, o investidor deve consultar relatórios especializados, como a carteira recomendada da Suno.
1. O que é o SNEL11 e qual é o diferencial do fundo?
O SNEL11 é um fundo que investe diretamente em ativos ligados à geração de energia, principalmente dentro do segmento de energia renovável.
Dentro do IFIX, ele possui uma característica única: é o único fundo que investe diretamente em ativos de geração de energia e os aluga para empresas que desejam se beneficiar da energia produzida.
Essa característica faz com que o fundo ofereça um nível de diversificação diferente quando comparado aos fundos imobiliários tradicionais, que geralmente investem em:
- galpões logísticos;
- lajes corporativas;
- shoppings;
- recebíveis imobiliários, etc.
Além disso, os contratos do SNEL11 costumam ter prazos longos, geralmente entre 5 e 25 anos, o que tende a trazer maior previsibilidade de receitas ao fundo.
Outro ponto destacado pela gestão é que o setor elétrico costuma ser resiliente. Mesmo em períodos de crise econômica, o consumo de energia tende a continuar acontecendo.
2. Como o SNEL11 gera receita para pagar dividendos?
A estrutura do fundo é relativamente simples. O SNEL11 pode:
- construir ativos de geração de energia (como usinas solares)
- ou adquirir ativos já prontos
Depois disso, o fundo aluga esses ativos para empresas que desejam reduzir seus custos com energia elétrica.
Um exemplo citado na live ajuda a ilustrar:
Imagine uma empresa que paga R$100 mil por mês de conta de energia.
Se ela utilizar a energia gerada pela usina do fundo, esse custo pode ser reduzido. Em troca, a empresa paga um aluguel para o fundo — por exemplo, R$85 mil por mês.
Assim:
- a empresa economiza na conta de luz
- o fundo recebe aluguel pelo uso da usina
- e esse fluxo de caixa permite a distribuição de dividendos.
Como ocorre com os fundos imobiliários em geral, a legislação exige que pelo menos 95% do resultado semestral seja distribuído aos cotistas.
3. O SNEL11 pode continuar crescendo?
Segundo a gestão, o fundo ainda possui bastante espaço para crescimento.
Hoje o SNEL11 possui capital autorizado de até R$10 bilhões, o que significa que novas emissões podem ocorrer até que o patrimônio atinja esse limite.
O fundo já passou por diversas ofertas e vem crescendo rapidamente. Após a última emissão, o patrimônio se aproximou de R$1 bilhão.
A estratégia da gestora é continuar:
- captando recursos
- adquirindo novos ativos operacionais
- e ampliando a presença no setor de geração de energia.
A visão da gestão é que o fundo pode se consolidar como um dos principais players desse mercado no Brasil.
4. Como avaliar o preço da cota do SNEL11?
Um ponto interessante discutido na live foi a forma de avaliar o preço do fundo.
Em fundos imobiliários tradicionais, muitos investidores utilizam o indicador P/VP (preço sobre valor patrimonial).
No caso do SNEL11, a gestão argumenta que esse indicador pode não ser o mais adequado.
Isso acontece porque os ativos do fundo são projetos de geração de energia. Assim, o valor econômico desses ativos depende principalmente do fluxo de caixa que eles geram ao longo do tempo.
Por isso, uma forma mais adequada de avaliação seria olhar para a taxa interna de retorno (TIR) dos projetos.
Segundo a gestora, os ativos do fundo têm expectativa de retorno real na faixa de 14% a 15% ao ano, o que serve como referência para análise de novos investimentos.
5. Quais são os principais riscos do SNEL11?
Como qualquer investimento, o SNEL11 também possui riscos.
Entre os principais pontos destacados pela gestão estão:
Risco regulatório
O setor de geração distribuída depende de regras e leis específicas do setor elétrico. Mudanças regulatórias podem alterar os benefícios econômicos desses projetos.
Caso as regras mudem, isso pode impactar:
- o valor do aluguel pago pelos clientes
- ou a rentabilidade dos ativos.
Risco de concentração
Em alguns momentos, o fundo teve maior concentração em determinados clientes ou regiões. A estratégia da gestão tem sido reduzir essa concentração ao longo do tempo por meio de novas aquisições.
Risco de mercado
Como qualquer ativo listado, o SNEL11 também está sujeito à volatilidade da bolsa e a fatores macroeconômicos.
Considerações finais
O SNEL11 representa uma proposta diferente dentro do universo de fundos listados, ao investir em ativos ligados à geração de energia renovável. Essa característica pode trazer diversificação adicional para o investidor que já possui exposição a fundos imobiliários tradicionais.
Ao mesmo tempo, por se tratar de um modelo de negócio diferente, é importante que o investidor compreenda bem a estrutura do fundo, seus riscos regulatórios e a forma como os ativos geram caixa ao longo do tempo.
Como sempre, este artigo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Para recomendações formais, o investidor deve consultar relatórios especializados, como a carteira recomendada da Suno.
