O que o comportamento tem a ver com investimentos?
Ronald James Read foi um investidor americano, filantropo, frentista e faxineiro. Normalmente, não vemos muitos frentistas e faxineiros que doaram milhões de dólares para hospitais e bibliotecas, mas esse foi o caso. Ronald doou cerca de 6 milhões de dólares para a biblioteca e para o hospital da sua cidade.
Qual foi o segredo? Será que ele ganhou milhões na loteria? Recebeu uma grande herança? Nada disso. Ele simplesmente investiu em grandes empresas, as chamadas blue chips, e esperou. Só isso.
Parece fácil, correto? O problema é que o cérebro humano é incrível, mas ele é projetado para a sobrevivência. E qual o problema disso? O problema é que ele responde de forma mais intensa a eventos negativos do que a eventos positivos.
De forma mais clara, imagine que você ganhou R$ 10.000,00 e que, em uma escala de 1 a 10, isso gere um nível 5 de felicidade. Agora, caso você perca R$ 10.000,00, muito provavelmente você não ficará, dentro dessa mesma escala, “5” infeliz, mas sim em um nível muito maior, possivelmente algo próximo de 10.
A explicação para isso é que eventos negativos, na natureza, são mais prejudiciais do que eventos positivos são benéficos. Caso você estivesse sendo caçado por um predador e fosse pego, poderia dizer “adeus” à chance de passar seus genes adiante. Já ao encontrar uma fonte de comida, talvez ela durasse apenas alguns dias ou meses.
Pois bem, o que tudo isso tem a ver com o comportamento do investidor de fundos imobiliários?
Tem a ver porque os ativos mudam e evoluem, mas o comportamento que o investidor deve ter ao pensar em investimentos de longo prazo, como os FIIs, não deveria mudar. Vimos isso com bastante clareza na indústria nos últimos anos. Recentemente, fiz uma live no YouTube do Funds Explorer, na qual entrevistei a gestão do HGLG11 e discutimos como o fundo cresceu, especialmente após a consolidação com o LVBI11 e o PATL11.
A indústria de FIIs evolui. Isso é natural. Estar envolvido em bons mercados, como o mercado imobiliário, aumenta as chances de o investidor ser bem-sucedido, da mesma forma que aconteceu com Ronald Read.
Agora, vamos observar o extremo oposto.
Rick Guerin foi um dos investidores que faziam parte do grupo de Warren Buffett e do falecido Charlie Munger. Os dois últimos são conhecidos mundialmente. Mas qual foi a diferença entre Rick e os outros dois?
Rick quis enriquecer mais rápido e, por isso, se alavancou. Na primeira crise, teve de vender suas ações para Warren por uma fração do valor.
Em menor escala, vemos com certa frequência investidores não apenas olhando fundos imobiliários exclusivamente pelo dividend yield, mas também concentrando todo o seu capital em um único ativo.
Ora, será que esses dois comportamentos não são parecidos?
No mundo dos investimentos, não existe vencedor, existe o sobrevivente.
Assim, o principal erro do investidor de fundos imobiliários, e de qualquer outra classe de ativo, é, sem dúvidas, não entender que comportamento é tão ou mais importante do que conhecimento.
Quando o mercado estiver em baixa, evite se desesperar. Quando o mercado estiver em alta, evite ficar afoito.
O mercado imobiliário é cíclico, por natureza. Fatores como juros, emprego, comportamento do consumidor impactam nos setores imobiliários: lajes corporativas, shoppings, galpões logísticos, etc.
Qual o segredo, então?
Entender os ativos lendo os relatórios gerenciais, diversificar a carteira e, principalmente, evitar tomar ações impulsivas em função de notícias superficiais, que não mudam os fundamentos do ativo investido.
Como diriam os americanos: “ataque ganha jogos, mas a defesa ganha campeonatos”.
Caso queira saber mais sobre o assunto, fizemos uma live no Funds Explorer sobre o livro Psicologia Financeira.
